sexta-feira, Agosto 29, 2014

BAIRRO DO VALONGO


                    OS PASSEIOS 
                       DO
               MEU BAIRRO

As imagens aqui postadas valem mais que mil palavras, por isso, vou limitar-me a convidar o ilustre presidente da autarquia da terra albicastrense, para vir passear nos passeios do meu bairro.

Como para chegar à nascente é necessário remar contra a corrente, posso igualmente pedir a algum peixinho que navegue por este blog, (ou pelo meu Facebook local onde este “post” também vai navegar), para propagar a tragédia dos passeios do meu bairro, aos novos responsáveis da autarquia albicastrense.

Pode ser que assim os passeios (e não só), possam finalmente ter alguém que se preocupe com o desprezado bairro do Valongo.

Nos passeios do meu bairro,
ninguém passeia por eles,
são tristes, pavorosos e medonhos,
o desamparo tomou conta deles.

Os passeios do meu bairro,
parecem saídos de um western,
só falta ver John Wayne,
para parecer o faroeste.

Nos passeios do meu bairro,
o desamor mora neles,
os moradores não os namoram,
e a autarquia não quer saber deles.

Os passeios do meu bairro,
deitam lágrimas de tristeza,
por não terem quem lhes dê,
um pouquinho de beleza.

Nos passeios do meu bairro,
ninguém passeia por eles.
são tristes, pavorosos e medonhos,
o desamparo tomou conta deles.
A/Veríssimo-2014
  O Albicastrense

quinta-feira, Agosto 28, 2014

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS – LXXXIX

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).

O texto está escrito, tal como foi publicado.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.

(Continuação)
Sessão de 2 de Fevereiro. Queixas do tesoureiro dos enjeitados que já não tinha vintém para pagar às amas dos expostos, à rodeira e para vestuário e por isso que lhe acudissem. Fez-se por isso o que era costume: uma sisa de 600.000 réis por todo o concelho, cabendo 100.000 réis à cidade e 160,000 réis a Monforte. O resto foi assim repartido: 40.000 réis ao Salgueiro, 30.000 réis a Cafede, 38.000 réis a Alcains, 40.000 réis a Escalos de Cima, 72.000 réis à Lousa, 12.000 réis à Mata, 88.000 réis a Escalos de Baixo a 20.000 a Malpica.
Em 5 de Março os vereadores apareceram na Câmara, mas o nosso escrivão Aranha diz que não houve nada que despachar e não põe nada na carta.
A sessão seguinte quase um mês depois, no dia 4 de Abril. Nesta sessão apareceu Manuel Joaquim de Paiva a dizer que não podia continuar a desempenhar o cargo de alcaide “em razão de ter diversas ocupações em outras Terras” e por isso a Câmara resolveu substitui-lo por João Gomes Figueira “por contar que tem os requisitos necessários para o bem servir”.
O ordenado era coisa de apetecer: nada menos de 40.000 réis por ano, sendo 30.000 réis pagos “pelas terras do termo” e 10.000 réis pela cidade.
E não houve mais nada que despachar, diz a acta.
Um mês e dois dias depois, ou seja em 6 de Maio, realizou-se a sessão seguinte. O que se passou resume-se em pouco. Foram coutados os alqueives, que deveriam ser despejados dentro do prazo de três dias e ordenou-se que todos os moradores da cidade e termo matassem cinco pardais. Os que os não matassem pagariam cinco tostões de multa “ na forma do costume”.
Em 22 de Maio apareceu a carta régia que nomeava os vereadores que haviam de servir dai em diante. Os vereadores nomeados eram: Manuel Vaz preto Castilho, João de Mendanha Valadares e António Inácio Cardoso Frazão. Procurador era António de Almeida Freixedas.
Depois destes tomarem posse e prestarem juramente a acta diz ainda: “E logo pellos officiaes da Camara que acabarão foy dito que elles havião por reclamadas as nomeaçoens de Thrzoureiros e Recebedores antecedentemente feitas”.
Já os vereadores que tinham servido antes dos que agora saiam tinham feito a mesma coisa. Saiam, não queriam mais nada com os que andavam com as mãos nos dinheiros da Câmara.
(Continua)
PS. Aos leitores dos postes “Efemérides Municipais”, o que acabau de ler, é uma transcrição fiel do que foi publicado na época.
O Albicastrense

terça-feira, Agosto 26, 2014

CURIOSIDADES DA TERRA ALBICASTRENSE


ENCICLOPÉDIA
Em 6 de Maio de 1796, os vereadores da terra albicastrense reunidos em sessão plenária, ordenaram o seguinte: 
Que todos os moradores da cidade e termo matassem cinco pardais. Os que os não matassem pagariam cinco tostões de multa”.
As causas de tal ordenação, eram os estragos que os “malvados” dos passarinhos, provocavam na agricultura da terra albicastrense.
PS. Não sei a quantidade de pardais abatidos nem quantos habitantes terão pago a multa de cinco tostões. 
Terá esta ordenação tido êxito, ou os malandros dos pardais piraram-se para outras bandas?
O Albicastrense

segunda-feira, Agosto 25, 2014

CASTELO BRANCO - IMAGENS


"PÈROLAS"

DA 
TERRA
ALBICASTRENSE




                          O       
              Albicastrense

sábado, Agosto 23, 2014

quinta-feira, Agosto 21, 2014

DESCUBRA CASTELO BRANCO


UM MUSEU ESQUECIDO OU APENAS
UMA ESCOLHA JORNALÍSTICA ?

O jornal "Povo da Beira", apresenta esta semana como título principal da sua primeira página: “Descubra Castelo Branco”, trabalho que depois é apresentado nas duas páginas centrais com um sub-titulo: Castelo Branco, uma cidade a descobrir”, da autoria de Cristina Valente. Confesso que tal trabalho me provocou uma verdadeira azia cultural, não por se tratar de um mau trabalho (antes pelo contrário), mas, por constatar, que uma instituição centenária como o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, não faz parte das instituições prioritárias a descobrir, por parte de quem visita a terra albicastrense.
Perante tal “esquecimento”, não posso deixar de me interrogar sobre se estarei apenas perante uma escolha jornalística, (que podemos ou não concordar), ou se o nosso museu, já não se recomenda a quem visita a cidade de Castelo Branco.
Palavra que me custou imenso não ver na reportagem da Cristina Valente, o nome de uma instituição que servi durante quase trinta anos, anos, em que se ouvia da boca de quem visitava o museu da terra albicastrense, o seguinte: Vir a Castelo Branco e não visitar o museu, é como ir a Roma e não ver o Papa”, afirmação que deixava todos os que ali trabalhavam, com um sorriso no rosto.
Vou contar aqui um caso (entre muitos e muitos outros, que aqui podia contar), que servirá para demonstrar a importância do museu naqueles tempos. Na década de 80 veio Castelo Branco um grande artista (já nesse tempo) fazer um espetáculo no velho parque da cidade, no dia a seguir ao espectáculo ele estava à porta do museu para o visitar, o artista era nem mais nem menos que, Carlos do Carmo.
- O que terá acontecido para que nos dias de hoje, o museu já nem sequer seja incluído numa reportagem de locais prioritários a descobrir na terra albicastrense?
- Será que o Museu Cargaleiro e o Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco são novidades que é preciso promover, e que o museu Francisco Tavares Proença Júnior perdeu a importância, notoriedade e competência de outros tempos?
Muitas mais perguntas poderia eu continuar a fazer sobre este assunto, porém, prefiro que os albicastrenses que visitam este blog, me digam se existe ou não algum desamor entre a terra albicastrense e o seu museu, ou se estamos apenas perante uma mera escolha jornalística, de locais a visitar na nossa terra.
                                     O Albicastrense

segunda-feira, Agosto 18, 2014

A HISTÓRIA DA TERRA ALBICASTRENS - III


História - (III)
(Continuação)
Estas resultaram na reforma de igrejas (Igreja de Santa Isabel, onde funcionou a Misericórdia), de palácios (Solares dos Caldeiras dos Cardosos) e de algumas habitações, em nada alterando a malha urbana preexistente e respeitando nalguns
Numa representação litográfica de Castelo Branco de meados do século XIX, algumas das construções mais significativas do século anterior como o Paço Episcopal, o Convento de Santo António dos Capuchos, o Solar dos Viscondes de Oleiros e o Solar dos Condes de Portalegre aparecem ainda isoladas.
Apesar dos quatro arrabaldes mencionados, a área construída era reduzida, continuando a existir muitas bolsas por urbanizar, algumas junto do antigo casco, mas mais persistentes à medida que nos afastamos do centro cívico, que permanecia na Praça Velha. O campo continuava a chegar-se e a entrar na cidade. De facto, no início do séc. XIX, o marasmo instala-se em termos de evolução urbana, para o qual muito contribuiu a acção nociva das tropas de Junot, que durante as invasões francesas se instalaram no burgo semeando fome e destruição. É também por esta época que entram em decadência a zona do castelo, a alcáçova e a generalidade do casco antigo.
Os particulares começaram a retirar pedras do paço para com elas levantarem os seus muros e erguerem habitações; chegou mesmo a vender-se pedra, madeira e telhas do castelo; e em 1815 a Câmara mandou destruir os arcos das portas da muralha, reaproveitando a silharia em obras públicas. Finalmente, à destruição humana vieram juntar-se estragos causados por uma enorme tempestade que assolou a região, provocando o desabamento da última torre da muralha.
Estes nefastos acontecimentos - com o consequente desaparecimento da delimitação física de uma zona da cidade e de uma fáceis medieval que havia teimado em manter-se - acabariam por favorecer o desenvolvimento e o crescimento urbano no fim do séc. XIX, entrando-se no ciclo da modernidade. Os arrabaldes começaram a ficar ligados por arruamentos, entre si e também à cidade antiga. Destes, os mais densamente urbanizados localizavam-se em redor do Cruzeiro de S. João (uma construção quinhentista), do Poço do Concelho, do Chafariz de S. Marcos e junto da Sé, onde a Câmara veio a instalar-se. Surgem, entretanto, novas vias de comunicação e algumas construções de utilidade pública que vão favorecer o desenvolvimento: a abertura da estrada entre Castelo Branco e Abrantes, o telégrafo entre as duas cidades, as malas de correio passam a chegar diariamente à urbe, a inauguração da iluminação pública em 1860, o funcionamento do caminho-de-ferro a partir de 1891.
Uma agência do Banco de Portugal, instalada em casa edificada para o efeito, começa a laborar em 1892. E as grandes famílias da cidade, correspondendo a uma burguesia fluorescente, constituída essencialmente por liberais que ascenderam ao poder, tomam conta de alguns chãos devolutos, ou de antigos edifícios em ruínas, e erguem os seus palácios, exemplares arquitectónicos cenográficos e imponentes: o Palácio Cunha ou Mota, da Praça Velha, o Palácio Tavares Proença e Abrunhosa, o Palácio Garret e o Palácio Abreu Lima, na Rua de S. Sebastião, artéria que contornava a parte mais baixa, já na zona do vale, do antigo perímetro da muralha.
Só no início do séc. XX a cidade começa a adquirir a sua fácies moderna. Uma vez mais, o centro cívico é deslocado, com a mudança dos Paços do concelho para o antigo Palácio dos Viscondes de Oleiros, situado num arrabalde designado Terreiro da Devesa e que passou a ser chamado Campo da Pátria. A este largo, autêntico rossio da cidade, vem desembocar a Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, aberta nos anos 30, que põe em comunicação o centro da urbe com o apeadeiro dos caminhos-de-ferro (construído já fora dos limites da cidade, hoje completamente engolido pelos novos bairros).
Nesta avenida, a actual Nuno Álvares, no Campo da Pátria, está concentrado o maior número de edificações públicas de que a cidade carecia, erguidas nos anos 30 e 40: o quartel dos bombeiros, o antigo Liceu Nuno Álvares, o mercado municipal, a Caixa Geral de Depósitos, o Cine-Teatro Avenida (... em fase de reconstrução) e o Palácio da Justiça, além de inúmeras vivendas e casas de habitação.
Esta é a Castelo Branco do estado novo. Hoje, a cidade ocupa todo o vale, a nordeste, este, sul e sudoeste do antigo outeiro da Cardosa, com seus bairros residenciais, e uma zona industrial na periferia. Fica-nos a imagem de duas cidades, distintas na história e no viver, uma presa ao passado mais remoto, medieval, de origem incerta, outra moderna e aberta ao futuro.
In: Ana Cristina Leite: Guia das Cidades Históricas de Portugal - Expresso
O Albicastrense