quinta-feira, julho 27, 2017

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - (CXX)


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. 
Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).

(Continuação)
A Sessão seguinte realizou-se em 21 de Outubro de 1840.
Nesta sessão foram coutados os alqueives (que o nosso escrivão chama alqueves, como muito gente ainda hoje diz) e alem disse resolveu-se mandar construir um matadouro “no corro de São Jorge”, porque o antigo  tinha sido vendido e as rezes  eram abatidas dentro do próprio açougue, o que se reconheceu causar “muitos prejuízos, e não só pelas muitas imundices, que se ajuntavam no mesmo açougue, mas também porque o peso da carne diminuiu, por causa das humidades.
A construção seria feita por administração directa da Câmara; mas na sessão seguinte, como veremos reconheceu-se que não podia  fazer-se assim, porque  “ hera repugnância das leis”, e mandou-se por em arrematação.

 Sessão de 4 de Novembro de 1840.
Começa o escrivão Vaz Touro por nos dizer que os vereadores entenderam que Francisco de Sequeira não estava capaz para continuar a ser o juiz dos alfaiates e por isso nomearam para o substituir José Joaquim Cabrito. Em todo o caso mandaram que o Sequeira  fosse notificado para “não exercer o emprego”, não sucedesse que o homem, que o homem apesar de não estar capaz, teimasse  em querer ser juiz.
Em seguida nomearam para almotaceis Diogo da Fonseca Barrete Mesquita e Francisco da Costa Pacheco.
Depois diz-nos a acta o seguinte:
E logo determinaram se metesse a pregão o matadouro do açougue para se arrematar segundos os apontamentos que se achão em poder de mim Escrivão a casa de quem hiram os lançadores  que quiserem  lançar porque posto na Vereação  passada houvesse  determinado se fizesse por conta desta Câmara com tudo como here em repugnância  da lei houveram por bem revogar aquela determinação  e seguir esta”. 
Tinham errado emendaram a mão. Acima de tudo a lei.    
(Continua)
PS. Aos leitores dos postes “Efemérides Municipais:
O que acabaram de ler é uma transcrição fiel do que 
foi publicado na época.
O Albicastrense

terça-feira, julho 25, 2017

DESCOBRINDO CASTELO BRANCO ANTIGO – (II)

UM LOCAL BEM DIFERENTE NOS DIAS DE HOJE

Esta é uma imagem captada na década de cinquenta ou sessenta do passado século.
Ela mostra-nos um local da terra albicastrense que os mais novos terão algumas dificuldades em descortinar, no entanto, para os mais velhos será sem dúvida tarefa demasiado fácil. 
Eu conheci este local como a imagem documenta, sitio  por onde ali deambulei muitas e muitas vezes e do qual guardo muitas recordações.
O local está hoje muito diferente, porem, é possível ver-se nesta imagem coisas que ainda hoje estão no mesmo sitio.
Para quem conheceu o local como a imagem o documenta e queira partilhar recordações, pode deixa-las aqui, pois um dia destes, não haverá ninguém para contar histórias do tempo que a imagem mostra.
O Albicastrense

segunda-feira, julho 24, 2017

CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO BORDADO DE CASTELO BRANCO


BORDADO DE CASTELO BRANCO

O Centro de Interpretação do Bordado de Castelo Branco, criado pelo município para divulgar e promover a recuperação desta peça artesanal, é inaugurado no dia 25 de julho, foi hoje anunciado.
Em comunicado, a autarquia explica que o Bordado de Castelo Branco, ‘ex-líbris' da cidade, "passa a contar com um equipamento projetado de raiz para promover a revalorização, recuperação, inovação e relançamento, como peça artesanal, mas que, na realidade, se assume como uma forma de expressão artística ímpar".
O novo equipamento, orçado em 500 mil euros, vai funcionar na biblioteca municipal, cujo edifício foi recuperado para o efeito, e a oficina-escola do Bordado de Castelo Branco passa a funcionar também neste centro, reunindo algumas das mais aptas bordadoras e artífices das peças do genuíno Bordado de Castelo Branco, atualmente na fase final de certificação.
"Os visitantes do centro de interpretação vão viajar num espaço onde estão reunidos antigos artefactos, devidamente enquadrados pelos mais recentes meios digitais/tecnológicos e que, num percurso interpretativo, levarão o visitante desde as origens do Bordado de Castelo Branco - a sementeira do linho, a tecelagem, a criação do bicho-da-seda e extração da matéria-prima - até à evolução do bordado e da sua técnica", lê-se na nota.
 inauguração do centro, no dia 25 de julho, conta com a presença do ministro da Cultura, Luís Castro Mendes.
A Câmara de Castelo Branco apresentou, em junho de 2016, o pedido de registo da produção tradicional "Bordado de Castelo Branco" no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas, tendo esse pedido obtido, em agosto do mesmo ano, o "parecer positivo" da Comissão Consultiva para a Certificação de Produções Artesanais Tradicionais.  
Recolha de dados: Diário Digital
PS. Infelizmente por motivos que me ultrapassam, não poderei estar presente na inauguração do centro. Prometo que mais tarde passarei por lá para recolher algumas imagens (se for permitido), para postar aqui
O Albicastrense

sábado, julho 22, 2017

DESCOBRINDO CASTELO BRANCO ANTIGO - (I)


A imagem que aqui coloco à descoberta dos visitantes deste blogue, tem cerca de 90 anos. 
Esta interessante imagem, faz parte de um conjunto de imagens que retratam uma mudança muito significativa na cidade de Castelo Branco, ocorrida nas primeiras décadas de século XX.
Não será muito difícil para a grande maioria dos albicastrenses, descobrir onde fica hoje este local, para os menos atentos aqui fica uma pequena ajuda.
Na velha imagem, é possível ver-se parte de um edifício que muitas saudades deixou na terra albicastrense.

E MAIS NÃO DIGO!...
PS. Deixe a resposta na caixa do blogue.
O Albicastrense

quinta-feira, julho 20, 2017

TRAVESSA DO RELÓGIO


QUEM JÁ INVADIU ESTA TRAVESSA?
Encostada à torre do relógio, existe uma pequena travessa que tem por nome, “Travessa do Relógio”.
Esta travessa, eterna namoradinha do nosso relógio, é sem qualquer dúvida a mais graciosa das travessas da terra albicastrense.
Em 2006 postei aqui um poste sobre ela, onze anos depois volto ao tema, declarando que algo mudou por ali, porém, muito existe ainda para concluir. A Travessa do Relógio tem no entender deste albicastrense, condições únicas para ser uma espécie de ex-libris da nossa terra, pois a sua configuração em forma de funil é encantadora e única.  
Numa terra onde os locais com características como os
travessa do Relógio são tão poucos, não deveriam
os albicastrenses proteger, cuidar e
tratar desses locais?
Numa das casa em ruínas existente na travessa, são visíveis vários blocos de granito (conforme se pode ver numa das fotografias), blocos que deveriam pertencer à antiga muralha da cidade, e que por decreto de 1835 do Ministério da Guerra e de acordo com a Câmara Municipal de Castelo Branco da altura, terá dado licença para precederem à destruição deste património local e aproveitar a pedra das muralhas para construção em obras de utilidade pública, tendo mais tarde autorizado “1939” a venda em haste pública da restante pedra das muralhas.
O meu desabafo só pode ser um: Ex. mos senhores responsáveis pela autarquia da minha terra, recuperar a Travessa do Relógio e colocá-la ao serviço da terra albicastrense não é uma obrigação e muito menos um dever, é antes, um acto de justiça para com a terra albicastrense e para com os albicastrenses.                                                              
PS.  Como acredito que a grande maioria dos albicastrenses nunca entrou na Travessa do Relógio, deixo o apelo, para que no próximo fim-de-semana penetrem por ela de maneira tornarem-se íntimos da rainha das travessas albicastrenses.  
                                       O Albicastrense                               

segunda-feira, julho 17, 2017

O BARROCAL


Manuel Costa Alves publicou na última edição do jornal “Reconquista”, o artigo que pode ser lido a seguir.
Como partilhe muitas das suas preocupações sobre o nosso Barrocal, só me resta posta-lo neste blogue e dar ao seu autor, os parabéns pelo excelente artigo.
           
SEMANÁRIO “RECONQUISTA / CATA-VENTOS" (13 Julho 2017)
A minha infância está a pouco mais de cem metros do Barrocal. E ainda está à mão de semear na minha memória. A maior parte dos leitores não saberá que o Barrocal começava muito para cá da divisória que a linha férrea fixou. A Escola Superior de Educação está onde nos insinuávamos por becos e quelhas e grandes pedras que faziam eco de aventuras inspiradas nos livros de caubóis. 
Convivíamos com lagartixas e grilos e pardais e cães sem dono e ervas e árvores numa periferia que já não era aldeia mas ainda guardava sumos de vida natural. Até hoje podemos encontrar algumas dessas pedras a irromperem na zona como rastos de um tempo e de um espaço desaparecidos. 
O lado esquerdo da avenida Nuno Álvares, de quem vai para a Estação depois da igreja, o que era? Era Barrocal que o caminho de ferro separou e isolou até que veio a ser explodido pelos blocos que lhe sucederam. Imagino como o olharíamos se a cidade tivesse evoluído preservando o que, no tempo, foi considerado um inútil amontoado de pedregulhos e hoje talvez apreciássemos como lugar habitado por um tesouro natural.
Mas, enfim, o que lá vai, lá vai. Em causa, está agora um projeto de intervenção do município com um orçamento que ronda um milhão de euros. O pouco que sei dele e a pobreza dos meus conhecimentos não me autorizam a ir além do básico senso comum.
Vejamos: a evolução da cidade determinou que fosse arredada do convívio com esse Barrocal da minha infância que nos abria às inocentes aprendizagens vagabundas que faziam também a nossa educação.
As crianças das gerações seguintes vão perdendo essa relação e até as ruas lhes vêm a ficar gradualmente interditadas. Daí que aceite como necessária e mais do que bem-vinda uma intervenção que estabeleça uma relação de Castelo Branco com os 50 hectares do seu tão abandonado Barrocal. Mas, cuidado!
Leio, ouço aqui e ali e sinto-me a atravessar uma ponte entre dois fundamentalismos. O de quem acha que pode fazer o que quiser no Barrocal e o de quem não quer que lhe mexam, nem com a flor de uma palha.
O Barrocal de Castelo Branco é um sítio de importância geológica e ambiental, um monumento natural local com valores intrínsecos, um espaço público que é património da cidade. Teremos de respeitar as suas dinâmicas e não servir-nos dele com arrogâncias de antroposfera dominante.
Escreveram Carlos Neto de Carvalho e Joana Rodrigues na sua “Proposta de Conservação e de Valorização do Barrocal de Castelo Branco” (2010): “A valorização do Barrocal deve reunir um conjunto de intervenções que obedeça a critérios de elevado controlo científico, gestão ambiental/ conservação da Natureza e sentido estético.”
A Câmara Municipal garante que vai ser um parque natural. Então, tratemo-lo como tal. Um parque natural não é um parque urbano. Muito menos um parque de diversões. Portanto, não lhe mexam muito. Mexam-lhe apenas o necessário e com bom senso para que possamos relacionar-nos naturalmente com ele não ferindo os seus equilíbrios. Construir infraestruturas?
Só as mínimas e, por favor, não metalizem. Dissimulem o mais possível tudo o que fizerem, utilizem os materiais mais leves, mais próximos ou mais familiares dos que estão lá. E não berrem nas cores nem intervenham como se quisessem fazer cidade ali. Há sempre um pato-bravo a querer saltar dentro de nós. Permitam que diga assim: Não criem elefantes-brancos! Nem pistas nem auditórios! E informem e façam pedagogia sobre o que se deve e não dever fazer no Barrocal.
Manuel Costa Alves
                                        A Albicastrense

sábado, julho 15, 2017

MEMÓRIAS DO BLOGUE - (VI)

ARMAS DE CASTELO BRANCO
Em sessão de 11 de Janeiro de 1928, na Associação dos Arqueólogos Portugueses, foi aprovado o seguinte parecer apresentado por Afonso Dornelas à  Secção de Heráldica daquela agremiação:
Em papel timbrado com um castelo de prata em escudo vermelho encimado por uma coroa de Duque, recebeu a Associação dos Arqueólogos o seguinte ofício:

Ex.ma Associação dos Arqueólogos Portugueses.

"Desejando a Câmara da minha presidência mandar fazer um vitral com um escudo de Armas da cidade de Castelo Branco, venho pedir a V. Ex.  a fineza de me informarem quais as cores e outras indicações que a abalizada opinião de V. Ex.  entender dar. Castelo Banco 21 de Fevereiro de 1927.O Presidente. José Severino”.

Existem de longa data as Armas de Castelo Branco, havendo porém divergências dos diversos estudiosos do assunto, nos esmaltes a empregar. Uns dizem que as Armas constam de um castelo de ouro em campo vermelho e, outros, de um castelo de prata em campo azul. Parece-nos que, segundo as boas regras da Heráldica, não está certa qualquer das opiniões. 
O campo deve ser vermelho e o castelo de prata e julgamos isto porque, naturalmente, se a cidade se chama Castelo Branco ninguém pensaria num castelo amarelo. A prata é substituível por branco e o ouro por amarelo. 
Depois o vermelho é cor de primeira ordem e indica guerras, ardis e vitorias; e o azul é cor de segunda ordem e indica caridade e lealdade. Castelo Branco deve grande parte da sua história à Ordem do Templo e depois à de Cristo que não consta que tivesse ali qualquer estabelecimento da caridade. 
A entrega daquelas paragens a estas Ordens Militares foi com o intuito de se fortalecerem e de defenderem  a região anexa às respectivas fortificações. Se na Heráldica não houvesse um esmalte para indicar os fins guerreiros, como é o vermelho, então iríamos buscar o azul como representativo de lealdade. 
Vejamos, portanto como aconselhamos a cidade de Castelo Branco a esmaltar as suas antigas Armas: De vermelho com um castelo de prata aberto e iluminado de negro. Coroa mural de cinco torres de prata por ser cidade e, pelo mesmo motivo, bandeira quarteada de branco e de negro por serem assim os esmaltes da peça principal das Armas. Por debaixo do escudo, uma fita branca com letras pretas.
A coroa de Duque, que têm usado as Armas de Castelo Branco, é um grande erro, pois que as cidades e as vilas têm a sua coroa mural privada, que tem cinco ou quatro torres, conforme se trata do primeiro ou do segundo caso. Esta coroa mural, composta de torres e panos de muralhas, representa a fortificação que defendia na antiguidade as cidades e as vilas. 
O número de torres que foi adoptada é destinado a diferençar se é cidade ou vila.  Afonso Dornelas.
Recolha de dados:
Manuel Tavares dos Santos,
"Castelo Branco na História e na Arte”, Porto, 1958.
O Albicastrense

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - (CXX)

A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “ A Era Nova ”.  Transitou para o Jorna...