segunda-feira, junho 27, 2016

COMENTÁRIOS - XXV

A NOSSA ZONA HISTÓRICA
O comentário que desta vez estou a postar, foi deixado em esclarecimento a um poste sobre a zona histórica da terra albicastrense. Ao seu autor, só posso dizer bem-haja pelo esclarecimento que nos deixou, alegando que talvez a publicação do seu comentário como poste, possa despertar consciências adormentadas na defesa da nossa zona histórica.
A quem dirige a autarquia albicastrense, não
posso deixar de esgrimir o seguinte:
Tendo a autarquia albicastrense gasto milhões e milhões de euros na recuperação da nossa zona história, este albicastrense não consegue entender que a política empresarial de terminadas empresas “não querem gastar dinheiro com a passagem dos cabos aéreos para os tubos subterrâneos, que já lá estão”, se sobreponham aos interesses da nossa zona história e dos albicastrenses.
Aos albicastrenses posso esgrimir igualmente o seguinte: Se não fosse muita ousadia minha, quase que implorava aos albicastrenses, para que de futuro pensassem melhor antes de assinar contratos de fornecimento de serviços de comunicações com determinadas empresas, empresas que tão mal tratam a nossa terra.

José de Castilho disse...
Tem toda a razão nos comentários relativamente aos dois casos que aqui expôs. Quanto aos horríveis cabos e caixas metálicas cinzentas que desvalorizam o aspecto da fachada principal da minha casa (e a fachada lateral também) ando há 5 anos a lutar pela sua remoção, mas como as obras se iam arrastando sempre tinha a esperança que mais dia, menos dia o assunto fosse resolvido. 
Há para aí uns dois meses concluí que aquilo não saía da cepa torta, pois a EDP, à minha revelia, andou a fazer buracos nas minhas fachadas e a fixar definitivamente os cabos pendurados provisoriamente em ferros desde o final das obras. Para que as fiadas fossem na horizontal, até traços de fio de pedreiro azul fizeram por cima da pintura branca com tinta de silicato, que o IGESPAR exigiu.

Então, fui falar com o Sr. Presidente da Câmara, que me recebeu com muita simpatia e se prontificou a fazer todos os esforços para que o problema seja resolvido. O que ele me disse foi que esta situação ainda não foi resolvida porque a EDP, a PT e a Cabovisão (parece que também é TV Cabo, agora) não querem gastar dinheiro com a passagem dos cabos aéreos para os tubos subterrâneos, que já lá estão. Escrevi uma carta a cada uma das companhias a intimá-las a retirar os cabos, que foram ali colocados sem minha autorização. A EDP foi a que mais se preocupou em dar-me resposta, pois escreveu-me e mandou lá um responsável. Mas empurrou a solução para a responsabilidade da Câmara. 
O senhor que lá foi disse-me o mesmo que me tinham dito por telefone, que podiam tirar de lá os cabos se eu pagasse a despesa. Respondi que ali não é nenhuma empresa turística, que ganhe dinheiro com o visual da fachada, para arrecadar receitas e lhes pagar, que ali é um edifício com interesse histórico (tem o brasão mais antigo da cidade), mas uma mera casa particular.
É feio ver aquilo para quem ali passa, que fica mal impressionado, a começar por mim, mas não me compete custear o bom visual duma parcela da cidade.  Fiquei a saber, pelo senhor da EDP que lá foi, que as horríveis caixas cinzentas não são deles mas sim da Cabovisão. A Meo (PT ou lá o que é) não se dignou responder-me.
A Cabovisão respondeu-me com delicadeza que estão a estudar o problema. Não bastavam estes desgostos, quando tive mais um: o horrível grafito de medonhas letras rabiscadas por cima da tal tinta de silicato, na fachada principal.
Bem, vou mandar limpar aquilo e pintar, quando já lá não houver fios nem caixas metálicas. Sobre isto, o comentário principal de interesse para os albicastrenses, é que ali não há policiamento nenhum, a zona histórica está entregue à bicharada durante a noite. Só por milagre não acontecem coisas piores.
Roubaram-me das portas laterais as maçanetas metálicas desenroscáveis por fora e não fui o único contemplado. E tanto quanto consta não são moradores da zona que fazem isso. Resta-me esperar que o Senhor Presidente da Câmara Municipal, pessoa que muito admiro e por quem tenho elevada consideração, consiga resolver estes problemas.
José Martins Barata de Castilho
O Albicastrense

sexta-feira, junho 24, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (XIII)

 Quando Neste Mundo só era Feliz
 o que Acertava Morrer bem.
(Continuação)
Assento 22 (S2 - 10, fl. 522v) - Francisco Rafeiro, natural desta vila, faleceu com todos os sacramentos em os 26 do mês de Janeiro de 1738. Fez testamento, em que deixou 1500 missas por sua alma e outras mais por parentes, e outros legados mais; e, ultimamente, instituiu a sua alma por herdeira e vinculou a sua fazenda com obrigação de missas por sua alma, como consta do mesmo testamento. E, para constar, fiz este assento que assinei dia, mês e ano «ut supra».
(Declaro que foi sepultado nesta igreja em cova de fábrica). / O Vig° Frei Manuel Rodrigues Corugeiro.
Comentário
O L. do Francisco Rafeiro, natural de Castelo Branco e baptizado na igreja de Santa Maria a 21.2.1661, era filho do boticário António Vaz Mendes e de sua mulher D. Branca Rafeiro. Frequentou a Universidade de Coimbra, onde se matriculou em Medicina a 1.10.1681 e concluiu o seu curso a 26.6.1687, passando ao exercício da clínica médica na terra natal e ali falecendo, solteiro, a 26.1.1738 (Assento 22).
Seguindo a inspiração e o exemplo de outros varões ilustres, o Dr. Francisco Rafeiro deixou o seu nome ligado a diversas ações de benemerência. Assim: legou à Misericórdia de Castelo Branco todos os bens de raiz; instituiu ainda um legado de 100000 réis para dote de casamento de 5 órfãs; doou as suas casas «novas e nobres», sitas na Rua do Postiguinho de Valadares, para vivenda dos párocos de S. Miguel; custeou a magnífica obra de azulejo, levada a cabo na antiga ermida de S. Gregório (atualmente, capela de Nossa Senhora da Piedade).
Por tal motivo, no pavimento da referida capela e defronte da porta travessa, foi gravado em azulejo o seguinte letreiro: - Esta obra de azulejo e / Pavimento se fez com o /dinheiro do doutor Francis/co Rafeiro já defunto p/e de se um P. Nosso Ave-maria pela sua alma / 1739. (35)
Por se encontrar doente e «com excessiva dor no braço direito», não pôde o Dr. Francisco Rafeiro redigir o seu testamento, lavrado a 26.12.1737 pelo patrício e amigo, o Padre - Mestre Frei Manuel da Rocha, doutorado em teologia pela Universidade de Coimbra, Abade Geral dos monges de Alcobaça, membro da Academia Real da História, etc. Dele extraímos uma parte que consideramos muito significativa.- «Em nome de Deus trino e uno, Ámen.
Este é o testamento que faço eu Francisco Rafeiro, estando enfermo na cama e em meu juízo perfeito, qual o mesmo Senhor foi servido de me dar. Primeiramente, encomendo a minha alma a Deus, que a criou e a remiu como seu preciosíssimo sangue e em cuja santa fé cristã fui criado, vivi e determino morrer, recorrendo às chagas de meu Senhor Jesus Cristo para que, mediante elas, consiga perdão das minhas grandes culpas.
Da mesma sorte, rogo e peço à Virgem Santíssima da e dade a queira ter comigo, sendo minha advogada e intercessora diante de seu unigénito Filho para que, quando a minha alma se afastar do meu corpo e for chama da ajuízo, me assista a valha; para que, por sua infinita misericórdia, se me conceda aquele sumo bem e felicidade eterna de que gozam os seus escolhidos e santos...
Considerando a pouca duração do mortal e que neste mundo só é feliz o que acerta morrer bem que o corpo se deve dar à terra de que foi formado, ordeno e mando que, quando Deus for servido de me chamar para si, seja o meu corpo amortalhado no hábito de S. Francisco e sobre ele a véstia de meu Padre S. Pedro, de que sou indigno irmão; e, assim, que me levem à igreja de S. Miguel e nela me sepultem, junto quanto for possível das sepulturas em que jazem minha mãe e minha irmã e minha sobrinha, que é junto do degrau do altar de S. Francisco Xavier
…. Mais mando que, no dia do meu ofício, se dê a cada preso dos que se acharem na cadeia um tostão de esmola e a cada enfermo, que então se achar no Hospital, outro tostão... À Senhora da Piedade, minha especial advogada, deixo uma moeda de ouro, que o meu testamento aplicará para aquilo que julgar mais necessário para o seu altar”... (36)
(Continua)
                                                  O Albicastrense

terça-feira, junho 21, 2016

GEORGIO MARINI

UM PINTOR  ITALIANO
 NA 
TERRA ALBICASTRENSE
Nos últimos anos postei aqui vários postes sobre Giorgio Marini, pintor Italiano de Florença que se fixou em Portugal. O pintor viveu algum tempo nos Açores assim como noutras localidades do nosso país. 
Nos últimos anos da sua vida, fixou-se em Castelo Branco, local onde morreu a 8 de julho em 1905, tendo aqui ficado sepultado. 
O meu interesse por este pintor, deve-se a um interessante trabalho publicado por Luís Pinto Garcia na revista “Estudos de Castelo Branco”, (Junho de 1961). 
Marini, pintou retratos, flores, paisagens e cenas históricas e religiosas. 
Muitas foram as pessoas que me contactaram por causa dos referidos postes, uns porque têm quadros seus, outros, procurando saber mais sobre ele. Também eu, procurei saber mais sobre o pintor que escolheu a terra albicastrense para fim de vida, nessas tentativas encontrei nos Açores um belíssimo quadro dele na Igreja Matriz de Ponta Delgada (Capela do Batisférico). 
- Retábulo de São João Batista na cena do Jordão. Também chamado de Altar das Almas, o homem ao fundo de barba castanha curta é auto-retrato de Marini. (Imagem foi-me oferecida por, Carlos Melo Bento). 
As imagens 1 e 2 deste poste foram-me enviadas por determinada pessoa, se alguém estiver interessado em adquirir um destes quadros, pode deixar mensagem que eu depois encaminhe-o para o proprietário das obras. 
Vou continuar a procurar mais dados sobre este homem que escolheu a terra albicastrense para morrer. 
O Albicastrense

domingo, junho 19, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (XII)

 O HORROR DA FALSA MORTE
(Continuação)
Assento 21
 (S2 - 10 B, fl. 273v) - José filho legítimo de José António Morão e de sua mulher Luísa Violante desta cidade, neto paterno de Gaspar Mendes Morão da vila de Idanha-a-Nova e de Guiomar Henriques da vila do Fundão e, materno, de António José de Paiva da vila de Idanha-a-Nova e de Branca Maria natural de Salvaterra do Extremo, nasceu aos três dias do mês de Setembro de 1787 e foi solenemente baptizado por mim, o vigário abaixo-assinado, aos 18 do dito mês e ano, sendo padrinhos o capitão José Pessoa Tavares e Leonor Pereira da Silva (por quem tocou seu filho António) e, sendo testemunhas, a R. do Carlos José Machado e a R. do António da Maia Nogueira, de que fiz este termo que assinei/O Vig° encomendado Manuel dos Reis Soares.
Comentário
O Assento 21, que acabamos de transladar, dá-nos uma rapidíssima visão da primeira cerimónia em que participou como principal figura o baptizado, cujo nome completo seria o mesmo do pai, José António Morão. Frequentou a Universidade de Coimbra, onde se matriculou em Matemática e Medicina, formando se nesta última ciência a 6.7.1812, depois de um curso distinto. No ano seguinte (1813), estreia-se na vida profissional como médico do partido em Almada, ali permanecendo cerca de 10 anos. De regresso à terra natal, obtém um cargo de médico municipal no qual é confirmado por provisão régia (Lisboa, 14.5.1823) (31) e irá exercer com a maior proficiência até 1846.
No decurso deste período e nos anos seguintes, desempenha com grande zêlo e distinção diversas funções de natureza política e administrativa: deputado da nação pela província da Beira Baixa (1834); vogal do primeiro Conselho do Distrito de Castelo Branco (1836) e seu governador civil interino (de que houve louvor pela portaria de 8.1.1848); 2° Reitor do Liceu e Comissário dos Estudos do distrito de Castelo Branco, por carta régia de 12.3.1852 (32); Provedor da Misericórdia (1864), etc. Espírito culto, foi o principal entusiasta e fundador da “Sociedade Civilizadora”, organizada em Castelo Branco nos finais de 1836; conhecedor de várias línguas, traduziu e publicou algumas obras literárias; bibliófilo distinto, reuniu na sua casa da Rua do Pina uma valiosa livraria, constituída por mais de 3000 volumes e que iria legar ao público municipal albicastrense.
Solteiro e com quase 78 anos de idade, continuava a manter uma intensa actividade clínica, vindo a falecer subitamente, vitimado por hemorragia cerebral, a 1.8.1864. Nesse dia, como descreve o Dr. José Lopes Dias, tinha regressado das visitas habituais à sua residência e encontrava-se a desinfectar as mãos quando, sem um repelão nem um grito, tombou prostado sobre o lavatório. (33). O testamento do Dr. José António Morão, feito em Castelo Branco a 8.12.1863, proporciona uma curiosa imagem da sua personalidade. Ele permite-nos penetrar um pouco no íntimo das suas preocupações, entre as quais sobressai o horror que sentia pela falsa morte, como se infere da seguinte determinação:
 - «Pretendo que o meu corpo não seja soterrado enquanto ele não começar a exalar o cheiro do cadáver, se Deus Nosso Senhor tiver sido servido levar-me de morte repentina; se, porém, esta for em consequência de alguma atroz enfermidade, aguda ou crónica, enquanto o hirto e o glacial de meus membros ou sinais evidentes de gangrena externa não atestarem a extinção completa das funções vitais do meu ser»
... Ainda sobre a sua morte, deixou outras disposições interessantes, com que concluímos este comentário:
 - «Pretendo ser levado à sepultura (rasa e sem qualquer lápide) tão longe da abjecção como da vaidade... Peço, já que não posso proibir, que os meus parentes não trajem luto por minha morte além do tempo marcado pela pragmática destes reinos e que os meus criados o não vistam por mais de três dias, se tanto ainda quiserem fazer». (34)
(continua)
                                         O Albicastrense

sábado, junho 18, 2016

PARABÉNS ANTÓNIO SALVADO


O jornal Reconquista publicou esta semana na pagina dedicada   aos seus leitores, o artigo que aqui 
pode ser lido.




As palavras de Fabião Baptista sobre o poeta António Salvado, não podiam deixar de aqui ser postadas. 
Palavras que este albicastrense toma como suas, na falta de engenho e arte para as escrever. A Fabiao Baptista, este albicastrense só pode mesmo dizer bem-haja em nome de todos os albicastrenses.
                                         O Albicastrense 

quinta-feira, junho 16, 2016

ZONA HISTÓRICA DA TERRA ALBICASTRENSE


Em Janeiro de 2016 publiquei aqui um poste sobre a casa que podemos ver nas imagens, (Rua dos Ferreiros). 
Quatro meses depois, a situação foi totalmente resolvida como se pode ver na imagem captada por mim esta semana. Cabos, tubo da caleira, assim como  caixa electrifica, foram removidos do local. 
Aos responsáveis pela resolução do triste espetáculo que ali estava exposto, (autarquia albicastrense) este albicastrense só pode dar os parabéns.
Em 2011 postei neste blogue, uma situação muito semelhante à da Rua dos Ferreiros passada na rua do Arco do Bispo, (casa pertencente a José Martins Barata Castilho).
Cinco anos depois, (12-06-16) fui ao local para ver como estava a situação do palacete em causa. 
A imagem captada é ainda mais tristonha que em 2011, pois um idiota armado em "pintor", resolveu borrar a parede da casa com palermices. Perante a resolução da casa da rua dos Ferreiros, este albicastrense só pode pedir a quem tomou as devidas previdências, que também este caso merece ter "rapidamente" um final feliz. 
Não é compreensível que alguém tenha gasto uma pipa de massa na recuperação do antigo palacete, e que, cinco anos depois nada tenha sido feito para retirar dali os cabos e as  medonhas caixas eléctricas.
Resta acrescentar, que em 2012 visitei a referida casa a convite de Barata Castilho, podendo pois afirmar que fiquei com os olhos em bico perante a recuperação excepcional feita pelo seu proprietário. 
Terminava apelado ao atual presidente da nossa autarquia, (pessoa por que tenho grande consideração) para que tome medidas junto dos responsáveis que fornecem serviços de televisão e energia eléctrica, para resolverem esta triste situação e, apelar às citadas entidades para que sejam mais responsáveis em situações futuras.  
                                                          Albicastrense