domingo, maio 22, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (III)

O AMOR E A MORTE... NOS ANTIGOS REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES.
Por Manuel da Silva Castelo Branco

(Continuação)
III - O mais antigo Monumento sepulcral na igreja de Santa Maria de Castelo

Assento 7 (Ibid.,fl. 189v) - Aos 9 dias do mês de Julho de 1564, faleceu Maria de Siqueira. Fez testamento e jaz enterrada no moimento dentro da igreja.
Assento 8 (Ibid., fl.400v) - Aos 25 dias de Abril de 1597, faleceu Baltazar de Siqueira e jaz sepultado no moimento levantado que está dentro desta igreja de Santa Maria. Fez testamento e sua mulher, Beatriz Pais, é testamenteira.
Assento 9 (S1- 2M, fl.238) – Frei António Estaço, capitão de cavalos e cavaleiro da nossa Ordem, faleceu em o mesmo dia que sua mãe (a 17.11.1663) e está enterrado em o túmulo dos leões.
Comentário
O mais antigo monumento sepulcral, de que há notícia na igreja de Santa Maria do Castelo, aparece designado nestes registos por “o moimento” ou “moimento levantado” e, ainda, pelo “túmulo dos leões”, visto assentar sobre 3 de pedra.
Consistia num caixão de pedra, com 15 palmos de comprimento por 6 de alto, suportado pelos 3 leões e situava-se no meio do corpo da igreja, à parte direita, junto ao púlpito e abaixo da porta travessa. Pertencia à família do ilustre albicastrense D. Fernando Rodrigues de Sequeira (1338-1433), cavaleiro de Aljubarrota, Mestre da Ordem de Avis, Regente e Defensor do Reino enquanto D. João I esteve fora dele à conquista de Ceuta (1415). 
Ali se haviam depositado os restos mortais de sua mãe D. Maria Afonso e da avó desta, chamada D. Estevaínha; e, durante vários séculos, seria a última jazida dos descendentes do Mestre por via de sua filha D. Brites Fernandes de Sequeira, entre os quais D. Maria e Baltazar de Siqueira, referidos nos Assentos 7 e 8. A partir de finais do século XVI, os morgados desta geração passaram a viver noutras povoações (Proença-a-Nova e Rosmaninhal), ficando o mausoléu a um ramo dela, encabeçado no Dr. Simão de Oliveira da Costa (1604-1673), que ali mandou colocar novamente o seguinte letreiro: (11) Aqui jaz a Madre de Fernão Roiz de Siqueira Mestre da Cavalaria de Avis Nele seriam ainda depositados mais alguns membros desta família, como por exemplo:
- Frei António Estaço da Costa, em 17.11.1663, conforme consta do Assento 9 e assinalava o epitáfio gravado numa pedra, com 5 palmos de comprido e 2 de largo, metida na parede da igreja, por cima da urna:
Aqui está sepultado o capitão de cavalos António Estaço da Costa Cavaleiro da Ordem de Cristo ano de 1663.
- P. Martinho de Oliveira da Costa, arcipreste do distrito de Castelo Branco, em 28.12.1691 (SI - 3M, fl. 230v).
- P. Matias de Siqueira da Costa, tesoureiro da igreja de Santa Maria, a 9.2.1735 (S1-i4M, fl. 146v).
Em 1753, já o túmulo fora demolido “pela indecência e deformidade que resultava da ruína que lhe tinha causado a diuturnidade de tempo” (12), conservando-se apenas a última lápide; mas, actualmente, nada resta desta significativa memória do passado...

(Continua) 
O Albicastrense

quinta-feira, maio 19, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (II)

O AMOR E A MORTE... NOS ANTIGOS REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES.
Por Manuel da Silva Castelo Branco
(Continuação)
II - Em louvor do poeta João Rodrigues de Castelo Branco
Assento 4 (Ibid., fl.28v) - No dito dia (24.11.1549) eu, Jordão Fernandes clérigo, baptizei Bartolomeu filho legítimo de Vasco Gil e Francisca Pires. Padrinhos: João Roiz de Castelbranco e Diogo Gomes; Madrinhas: Violante Fernandes e Isabel Vaz. E, por verdade, assinei / Jordão Fernandes.
Assento 5 (Ibid., fi. 209) – Aos 14 dias do mês de Dezembro de 1574, faleceu Antónia de Andrade filha que foi de António Vaz de Andrade e de Beatriz Vaz de Castelbranco. Não fez testamento, tem legítima e jaz enterrada dentro da igreja.
Assento 6 (Ibid., fl.202v) - Aos 16 dias do mês de Julho de 1569,faleceu António Vaz de Andrade. Fez testamento e jaz enterrado na igreja.
Comentário 7
No Assento 4, aparece como padrinho do batizado um João Roiz de Castelbranco (6), nome do famoso poeta albicastrense de “Cancioneiro Geral” de Garcia de Resende. Contudo, não se trata do próprio mas de um sobrinho e homónimo...O nosso Poeta havia falecido pouco antes de 1532,ficando os seus restos mortais depositados na capela - mor da igreja de Santa Maria. No Assento 5, figura efectivamente sua filha, D. Beatriz Vaz de Castelo Branco, casada com António Vaz de Andrade cavaleiro-fidalgo da Casa Real, o qual faleceu a 16.7.1569 (Assento 6), sendo sepultado na sua capela do Espírito Santo, depois extinta (7)... Quanto a Beatriz Vaz, refere o Dr. Miguel Achiolida Fonseca que “ está enterrada com seu pai e tios na capela maior de Santa Maria do Castelo”. Ora, neste local só encontramos, actualmente, duas sepulturas com campas armoriadas pertencentes à família de D. Catarina Vaz Carrasco de Sequeira, mulher do poeta João Rodrigues (8). Daqui, suponho que este foi depositado numa delas...Manuel Rodrigues Lapa, ao tratar das composições do «Cancioneiro Geral» dedicadas ao Amor triste, da despedida, acentua:- “A mais formosa composição sobre o tema é a conhecida Cantiga sua, partindo-sede João Roiz de Castelo Branco. O que impressiona nesta poesia, ademais do seu ritmo singular, é a ideia formosa-mente expressa do que o amor, naquela hora derradeira, todo conflui para os olhos que se cravam apaixonadamente tristes no objecto amado”. (9) Em louvor do nosso Poeta, aqui evocamos a sua celebrada composição. (10)
Senhora, partem tão tristes
Meus olhos por vós, meu bem,
Que nunca tão tristes vistes,
 Outros nenhuns por ninguém.
Tão tristes, tão saudosos,
Tão doentes da partida,
Tão cansados, tão chorosos
Da morte mais desejosos
Cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes os tristes,
Tão fora d’esperar bem,
Que nunca tão tristes vistes,
Outros nenhuns por ninguém.
(Continua)
                                                O Albicastrense 

terça-feira, maio 17, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (I)

Os Cadernos de Cultura. Medicina na Beira Interior da Pré-história ao Século XXI publicaram em Novembro de 1993, um interessantíssimo trabalho de Manuel da Silva Castelo Branco sobre os registos paroquiais da terra albicastrense.
Trabalho que não posso deixar de aqui postar na sua totalidade, independentemente de já aqui ter postado uma ou outra coisa sobre este tema. O trabalho será publicado em vários postes. 
Este é sem qualquer duvida, um trabalho que bem merece ser conhecido e divulgado por todos nós. BOA LEITURA.....

O AMOR E A MORTE... NOS ANTIGOS REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES.
Por Manuel da Silva Castelo Branco

Já por várias vezes tive a oportunidade de enaltecer o extraordinário contributo dos antigos registos paroquiais na pesquisa e estudo da história local. Esperamos confirmar tal facto neste trabalho sobre O Amor e a Morte, pela apresentação e análise sumária de um certo número de assentos (1) de batismo (B), casamento (C) e óbito (O), extraídos dos respetivos livros existentes no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e respeitantes às freguesias de Santa Maria (S1) e S. Miguel (S2), de Castelo Branco...

I - Homenagem a Amato Lusitano e Filipe Montalto
Assento 1- (S1-1M, fl. 13) (2) - Aos16 dias de Setembro de 1547, eu vigário batizei Aires filho legítimo de Filipe Rodrigues e Brígida Gomes. Padrinhos: L. do redro Brandão e Simão Gonçalves anadel e Catarina Fernandes e Isabel Gonçalves. E, por verdade, assinei / Frei Simão Afonso.
Assento 2 - (Ibid., fl. 97) - Aos seis dias do mês de Outubro de 1567, batizei Filipe filho legitimo de António Aires e Catarina Aires. Foram Padrinhos Manuel Viegas e Guiomar Henriques, os quais o tomaram da pia e, conforme ao Santo Concílio, lhes declarei o parentesco em que ficavam.
Assento 3 - (Ibid., fl.200v) - Aos 13 dias do mês de Junho de 1567, faleceu a mãe de Filipe Rodrigues mercador. Não fez testamento e jaz enterrada dentro da igreja. Comprou cova e deram a prenda ao P. Baltazar Gonçalves.

Comentário
Filipe Rodrigues, nomeado no Assento 1, era irmão do famoso médico albicastrense Dr. João Rodrigue (mais conhecido por Amato Lusitano) e do L. do Pedro Brandão, que figura também no mesmo registo como um dos padrinhos de batismo do seu sobrinho Aires Gomes. Este licenciou-se em leis, foi procurador na terra natal e teve de enfrentar, aliás como quase toda a sua família de cristãos-novos, o tribunal do Santo Oficio; uma sua irmã, D. Catarina Aires, casou na igreja de Santa Maria, a 22.4.1563, com António Aires boticário e cirurgião em Castelo Branco, tendo o casal numerosa descendência, do qual destacamos o célebre médico Dr. Filipe Rodrigues (mais conhecido por Filipe Montalto), cujo registo de batismo se traslada no Assento 2 (3). Amato Lusitano e seu sobrinho-neto Filipe Montalto – Mestres insignes na luta contra a dor e a morte - os seus nomes não podiam deixar de encabeçar este trabalho!...
No Assento 3, apresentamos um registo de óbito inédito: o da mãe de Amato Lusitano, que faleceu em Castelo Branco a 13.6.1567, cerca de 7 meses antes do filho, vitimado pela peste em Salónica, a 21.1.1568. O L. do Pedro Brandão (irmão de Amato) frequentou também a Universidade de Salamanca, onde se formou em leis (30.7.1537), sendo nomeado procurador da correição de Castelo Branco, por carta régia feita em Lisboa a 13.12.1538 (4). Casou com D. Leonor do Mercado, cristã-nova (filha de Pero da Cunha, escudeiro-fidalgo da Casa Real e recebedor das sisas de Alfaiates, e de sua mulher D. Brites do Mercado), da qual houve geração. (5)
(Continua) 
O Albicastrense

sábado, maio 14, 2016

quarta-feira, maio 11, 2016

PRECIOSIDADES DA TERRA ALBICASTRENSE


OS NOSSOS TESOUROS - XI


O bonito portão situado na rua da Graça, não podia deixar de aqui ser classificado como uma das pérolas da terra albicastrense.

Aos albicastrenses que visitam este blogue, gostaria de colocar a seguinte questão: Na placa toponímica que está afixada neste portão, consta rua da Graça, contudo, para quem nasceu em Castelo Branco esta rua sempre foi conhecida como rua da Mina. 
Se alguém questionar um albicastrense sobre onde fica a rua da Mina, não tenho dúvidas que qualquer um apontará esta rua, todavia, se perguntarem onde fica a rua da Graça, tenho sérias dúvidas sobre a resposta.
Como  devem os albicastrenses tratar esta rua,  por rua da Graça, ou por rua da Mina?
O Albicastrense

segunda-feira, maio 09, 2016

BORDADO DE CASTELO BRANCO


O CASAMENTO DAS ROTUNDAS 
COM O BORDADO DE CASTELO BRANCO

Tal como foi prometido pelo presidente da autarquia albicastrense, duas rotundas situadas na urbanização da Granja ostentam já símbolos do bordado de Castelo Branco. As imagens captadas por mim no local e aqui postadas, são prova disse mesmo. 
Tenho para mim, que esta é sem qualquer dúvida uma das melhores promoções que se pode fazer ao nosso bordado. 
Assim que houver mais rotundas com símbolos do “nosso“ bordado, as imagens serão aqui colocadas.


 
 BORDADO 
DE
 CASTELO BRANCO


NAS
ROTUNDAS
DE
TERRA
ALBICASTRENSE

  
Albicastrense

domingo, maio 08, 2016

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - CVIII


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
(Continuação)
(Continua)
O Albicastrense