domingo, abril 26, 2015

quinta-feira, abril 23, 2015

ERMIDA DA NOSSA SENHORA DE MÉRCOLES

A NOSSA HISTÓRIA
No alfoz da cidade de Castelo Branco, a uma distância de três quilómetros para o lado do nascente, está situada entre olivedos, numa colina aprazível, a ermida de Nossa Senhora de Mércoles cuja fundação é tradicionalmente considerada obra dos Templários.
Frei Joaquim de Santa Maria, no Santuário Mariano, atribuiu aos espanhóis, que antigamente afluíam à ermida em grande número, a designação de “Nuestra Señora de Miércoles” porque, segundo a tradição, apareceu ali a imagem da Virgem Santa numa quarta-feira. 
De uma só nave quadrangular com uma capela absidal reentrante, é esta ermida um curioso exemplar, do período de transição do estilo românico para o gótico. O portal da entrada principal, construído no século XIII, é ornamentado com arcaturas em ogivas sobrepostas em colunelos cujos capitéis são decorados com plantas estilizadas. Os ábacos são prolongados para receberem os colunelos onde apoia a cornija do frontão cujo remate é uma cruz de secção circular. Possui a ermida mais dois portais laterais em ogivas e o seu pavimento está num plano inferior ao do terreno adjacente, sendo de cinco degraus essa diferença de nível. A abside, construída de silharia, tem uma cobertura de três vertentes com cornija sobre modilhões moldurados e é interiormente separada da nave por um arco de volta abatida apoiado sobre pilastras. 

Nos anos de 1609 e de 1857 – Datas gravadas no arco da capela absidal – foram perpetradas na graciosa ermida varias transformações e mutilações que lhe alteraram a primitiva traça românica. Na primeira daquelas datas foram as paredes interiores revestidas de azulejos brancos intercalados com duplas tiras azuis de azulejos cruzados em diagonal e, na segunda data, sendo juiz da Confraria o 2º Visconde se Oleiros Francisco Rebelo, foi substituído o primitivo tecto da madeira da nave que era primorosamente pintado, construíram-se dois torreões na fachada principal e efetuou-se o arranjo do adro.

No século XVI foi fundado junto da ermida um conventinho para seis religiosas, por testamento de Rodrigo Rebelo, esforçado cavaleiro que exerceu na Índia o cargo de 1º capitão de Côa, para o qual nomeado pelo vice-rei Afonso de Albuquerque, tendo sido morto às lançadas pelos indígenas, num combate que foi pormenorizadamente descrito por Damião de Góis na Crónica do Felicíssimo Rei D. Emanuel. 
Frei Manuel da Encarnação, do mosteiro da Graça, refere-se à fundação do conventinho da Nossa Senhora de Mércoles numa carta, datada naquele mosteiro em 18 de Junho de 1784, que dirigiu ao seu amigo e condiscípulo António de Azevedo Velho Galache, com o objectivo de esclarecer esse descendente de Rodrigo Rebelo de que não tinha qualquer direito a reivindicar no convento Graça, cuja a igreja também havia sido fundada, com os bens do mesmo testador, pelos seus herdeiros.  Narra essa carta, que foi arquivada na Câmara Eclesiástica, que Rodrigo Rebelo legou os seus bens a sua irmã Maria Rebelo para que ela mandasse erigir em Mércoles e sustentasse com os rendimentos daqueles bens um pequeno convento para seis religiosas.
Em vez de cumprir as disposições do testamento, dotou a herdeiro um filho e duas filhas com a totalidade dos bens herdados, mas, decorridos algum Tempo, passou a ter uma existência amargurada pelos reparos e pelas recriminações dos seus confessores.
 Foi então aconselhada, pelo seu genro Fernando Pina, a mandar construir seis celas térreas em Mércoles e a albergar nelas seis frades capuchos que não viviam de rendas por descriminação da respectiva ordem. Aceitou Maria Rebelo a sugestão de seu genro mandando erigir as seis celas e promovendo a sua ocupação por outros tantos frades capuchos.
Estes religiosos, porém, abandonaram o conventinho logo que tiveram conhecimento de que o testador o havia dotado com rendas que eles não podiam usufruir. O rei D. João III, ao ser informado de que as disposições do testamento não haviam sido integralmente cumpridas, ordenou a entrega do convento aos frades do mosteiro da Graça para que eles reivindicassem as fazendas que haviam sido pertença de Rodrigo Rebelo, algumas das quais passaram para a posse daquele mosteiro. Para alivio da sua consciência, a herdeira Maria Rabelo fez ao convento da Graça algumas doações e mandou erigir junto dele uma igreja, da qual existe ainda um portal manuelino tendo ao lado uma legível inscrição em latim destinada a perpetuar o nome do testador e dos seus herdeiros.

No Livro do Tombo da Comenda da Ordem de Cristo foram inventariadas, em 1753, as seguintes casas anexas à ermida:
Mais lhe pertencem quatro casas que servem de se recolherem os romeiros, uma consta de três salas de sobrado, a primeira com uma janela virada ao sul que tem de comprimento quatro varas e um palmo e de largo duas varas e quatro palmos e as outras duas tem a mesma medição e cada uma sua janela; junto das ditas casas estão três casas térreas quase todas igual grandeza e todas têm portas por onde comunicar”. 

Não está bem averiguado se era nestas quatro casas, utilizadas para residência do ermitão e recolha dos romeiros, que se situavam as seis celas a que alude a carta de Frei Manuel da Encarnação. O ermitão de Nossa Senhora de Mércoles era nomeado pela Câmara Municipal desde tempos imemoriais, conforme consta da ata da sessão de 21 de Novembro de 1790. 
No adro da ermida existe um cruzeiro de granito, de construção moderna, constituído por um fuste cilíndrico apoiado sobre um plinto e rematado por uma cruz floreada assente sobre um anel que lhe serve de base. O povo de Castelo Branco, nas estiagens muito prolongadas e calamitosas, tem por hábito muito antigo conduzir em procissão a imagem de Nossa Senhora de Mércoles para a Igreja da Sé e de fazer ali suas preces par que os campos sejam beneficiados com a chuva. 
Teve sempre, o povo da cidade e dos seus subúrbios, uma grande veneração pela Nossa Senhora de Mércoles, dedicando-lhe outrora varia romarias durante o ano, principalmente em todas sextas-feiras do mês de Março.
A festividade mais importante realizava-se no domingo de Bom Pastor e nos dois dias seguintes. Esta romagem teve origem num voto que a Câmara Municipal de Castelo Branco fez em 2 de Julho de 1601, em agradecimento à Nossa Senhora por ter livrado os habitantes da peste que, naquele ano e noutros precedentes, grassara no pais. 
Todas os vereadores e oficiais da Câmara se incorporavam numa procissão que ia da povoação à ermida em cumprimento do voto e todos os clérigos de Ordens sacras que estivessem presentes eram obrigados a assistir, sob pena de excomunhão, por ordem do Bispo da Guarda D. Nuno de Noronha.
PS. O texto é apresentado nesta página, tal qual foi escrito na época. 
Publicado no antigo jornal Beira Baixa, em 1951.
Autor. M. Tavares dos Santos
O ALBICASTRENSE

segunda-feira, abril 20, 2015

BAIRROS DE CASTELO BRANCO

BAIRRO LEONARDO
No dia 21 de Outubro de 1940, faleceu em Castelo Branco, o conceituado industrial Leonardo José de Sousa de 68 anos de idade.
De origem bastante modesta, singrou na vida, a pulso. Iniciou a sua atividade comercial, instalando uma taberna na cidade. Posteriormente ligou-se á indústria corticeira.
Em 1907, numa altura de grande a recessão económica e os operários albicastrenses atravessavam uma enorme crise laboral, Leonardo de Sousa tomou a iniciativa de construir a expensas suas, dezenas de casas de habitação, para depois arrendar a preços módicos, a trabalhadores que laborassem na sua fábrica. Foi deste modo que surgiu o tão conhecido e popular Bairro do Leonardo, nome que se estendeu a toda aquela zona citadina, em tácita memória e expressiva homenagem, de todos os albicastrenses a Leonardo de Sousa, o qual permanece na lembrança de todos os naturais de Castelo Branco. 
Há mesmo quem considere Leonardo de Sousa, como sendo o pioneiro do desenvolvimento e renovação urbanística, que cinco décadas mais tarde se veio a verificar em Castelo Branco. De notar que em 1940, residiam em Castelo Branco, 12.763 habitantes. 

PS. A recolha dos dados históricos, Jornal ”A Reconquista
 O Albicastrense

quinta-feira, abril 16, 2015

PRIMEIRA PAGINA - (XIII)

JORNAL BEIRA BAIXA
CINQUENTA ANOS DEPOIS.....
 (18 de abril d1965 - 18 de abril de 2015)













O ALBICASTRENSE

segunda-feira, abril 13, 2015

TOPONÍMIA ALBICASTRENSE NO SÉCULO XVI - (VI)

                               POR: MANUEL DA SILVA CASTELO BRANCO

(Continuação)
(Continua)
 O ALBICASTRENSE