domingo, janeiro 25, 2015

IMAGENS DE CASTELO BRANCO - 2015






           IMAGENS
               
        DA TERRA
               ALBICASTRENSE




                O       Albicastrense

sexta-feira, janeiro 23, 2015

DIA MUNDIAL DA LIBERDADE


23 de Janeiro - Dia Mundial da Liberdade

Como este é um blog sem amarras, sitio onde todos os albicastrenses (e não só) podem opinar sobre tudo e mais alguma coisa, este albicastrense não podia deixar de aqui mencionar este dia. 

A Liberdade é o conjunto de direitos reconhecidos ao indivíduo, considerado isoladamente ou em grupo, em face da autoridade política e perante o Estado; poder que tem o cidadão de exercer a sua vontade dentro dos limites que lhe faculta a lei.

Vivemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

Sérgio Godinho

quarta-feira, janeiro 21, 2015

BORDADO DE CASTELO BRANCO

        "PATRIMÓNIO DA TERRA ALBICASTRENSE"
O texto sobre o bordado de Castelo Branco que vão ler a seguir é, da autoria de José Zêzere Barradas. 
"Sobre os Bordados de Castelo Branco"
Este texto serviu de base a um trabalho desenvolvido por um grupo de alunos de um curso na UBI (Covilhã). Não recordamos o dia em que apresentamos o trabalho, nem tão pouco nos lembramos do nome de todos os colegas do grupo pois estávamos no ano 2000 ou 2001, já lá vão uns aninhos. 
De entre os vários colegas que participaram recordo a colega Dra. Celeste Ribeiro que também frequentava este estabelecimento de ensino. Esta colega trabalhava no museu Francisco Tavares Proença, em Castelo Branco. Presumo que ainda lá trabalhe, ou por esta altura estará, eventualmente, já aposentada.
A meu pedido, a Dra. Celeste Ribeiro pesquisou alguma bibliografia disponível sobre os bordados de Castelo Branco da qual retirou a informação necessária para o trabalho que se pretendia realizar. 
A pesquisa documental efectuada por esta colega esteve em minha posse até hoje, e foi a partir dela que desenvolvi este artigo alusivo aos Bordados de Castelo Branco. Fica então em referência que este artigo tem também o cunho desta colega, e só foi possível de desenvolver devido às pesquisas efectuadas pelos autores cuja referência se encontra no fim deste artigo.
Todos sabemos que muitos autores escreveram sobre esta arte de bordar, inclusivamente existe o site da Câmara Municipal de Castelo Branco com o historial do Bordado de Castelo Branco muito bem desenvolvido, no entanto pensamos que nunca é demais acrescentar mais alguns “pontos” sobre este tipo de bordado artesanal.
Foi na cidade de Castelo que nasceu há algumas centúrias, e com características especiais, uma encantadora arte de bordar colchas e outras peças de indumentária caseira com seda a ponto de retém sobre linho cru (Antunes, 1974:7).
Ainda segundo Antunes, os bordados de Castelo Branco, bem como as tapeçarias de Arraiolos são dos mais curiosos produtos de arte popular em Portugal. 
É difícil de dizer a data exacta do surgimento deste bordado, e quais as suas características originais. A falta de informação existente sobre estas peças de bordado, sobretudo de documentação escrita, não permite estabelecer uma data precisa para o seu aparecimento, mas pode-se, no entanto, afirmar que no Séc. XVII este bordado estava já bastante difundido.
Para o estudo das colchas de Castelo Branco convém proceder a uma clarificação dos grupos, já que das épocas não se encontra justificação para o fazer (…). Sendo assim, para a classificação das colchas, começaríamos por as separar em dois grandes agrupamentos, visto ser assim que elas se apresentam à observação de quem se dedica ao estudo destas obras de arte (Moura, 1974:24).
Assim, para este autor, temos as colchas populares ou rústicas, e as colchas eruditas entre as quais existem diferenças fundamentais:
As colchas populares ou rusticas eram feitas pelas mulheres do povo, geralmente as mulheres do meio rural.
As colchas eruditas eram provenientes dos meios familiares, das casas solarengas, ou provenientes do meio conventual.
Fundamentalmente as colchas de Castelo Branco, as mais populares, tinham um destino curto, eram usadas no dia do noivado na cama dos noivos (…), eram as colchas de noivar se devem considerar por isso (Chaves, 1974:17).
Daqui podemos depreender que estas colchas eram uma importante peça do enxoval da noiva. As colchas de noivar são mais estreitas que as colchas eruditas, sendo também mais pobres quer na qualidade do linho, quer no seu desenho, o qual era mais ingénuo e menos elaborado.
Quanto às colchas eruditas, estas foram inspiradas em colchas vindas do oriente (India e China), podendo ser classificadas como obras-primas da arte do bordado.
As colchas de Castelo Branco sejam elas populares ou eruditas são bordadas a seda frouxa ou seda distorcida, sobre linho caseiro, estreito e tecido em teares manuais bastante primitivos. O desenho traçado no papel era picado e passado para o linho com o auxílio de uma boneca de pano embebida em pó de sapato, sendo em seguida fixado o desenho com uma tinta indelével de cor acastanhada, a qual era obtida através de uma infusão de casca de noz verde.
Para a execução do bordado, o pano era esticado nos chamados caibros ou bastidores. Nas colchas populares ou rusticas predominava o chamado “ponto largo” ou “ponto frouxo” e o qual mais tarde se veio a tornar conhecido pelo nome de ponto de Castelo Branco. É um ponto que se torna económico visto que o dispêndio da rede, pelo avesso é mínimo. Quanto ao colorido das colchas existem as chamadas colchas monocromáticas, executadas numa só cor. 
Existem também as colchas policromáticas em que são empregues quatro cores: O azul, o rosa vivo, o amarelo, o castanho. Todas estas cores aparecem em diversos tons, mas o castanho raramente aparece.
Para obter as cores, as meadas de seda, cuja indústria caseira esteve também muito difundida na região de Castelo Branco durante os Séc. XVII e XVIII, eram tingidas, sendo utilizadas para o efeito folhas e raízes de determinadas plantas, e também alguns minerais.
Da composição destes desenhos fazem parte alguns elementos básicos: os centros designados por medalhões ou painéis, e que na maior parte das vezes são limitadas por molduras que apresentam as mais variadas formas.
No que respeita à composição dos desenhos, estes são muito variados. Os desenhos são inspirados na flora e na fauna, não só da região como também do oriente como é o caso do papagaio, o qual surge em muitas telas.
Além do papagaio surgem também nas telas uma grande variedade de aves sendo de assinalar que em algumas colchas populares as aves apresentam formas invulgares, ou até mesmo desconhecidas. 
Temos o exemplo da águia bicéfala a qual surge bastante apenas nas colchas eruditas. Outro motivo que surge com frequência e que tem um grande efeito decorativo é a albarrada, termo de origem árabe que designa um vaso com duas asas. Dessa albarrada saem sempre hastes floridas.
O cravo, é também muito utilizado, bem como a flor-de-lis. De reparar que nas colchas eruditas ou populares é muito frequente aparecer um par de noivos ao lado de uma haste florida.
Uma vez terminada a peça, esta era forrada a tafetá nas colchas eruditas, e a cetineta ou algodão estampado nas colchas rústicas.
A última operação consistia na aplicação da franja de uma só cor ou com fragmentos de seda das diversificadas cores empregues na sua confecção. Para além das colchas também eram bordadas almofadas, entre-camas e artigos religiosos, havendo alguns exemplares na Sé de Castelo Branco, e no museu Machado de Castro, em Coimbra.
No Séc. XIX com a industrialização, o artesanato começa a entrar em decadência devido à introdução de novas tecnologias e novas matérias-primas, como por exemplo o algodão. A indústria artesanal da seda e do linho quase desapareceram e com ela a confecção de bordados de Castelo Branco. Segundo refere Lopes Marcelo, em 1929 foi organizado um congresso Beirão onde se reuniram gentes das três Beiras, onde os congressistas presentes debateram teses sobre as colchas de Castelo Branco, e pediram que as autoridades locais promovessem o desenvolvimento deste tipo de artesanato e desta forma contribuíssem para o desenvolvimento da cultura tradicional ou popular. 
Refere Pinto (1972:308) que tanto a preservação como o renascer do bordado de Castelo Branco foi um testemunho da capacidade e criatividade dos antepassados no que diz respeito à expressão artística da contemporaneidade.
Nesta perspetiva foram criadas em 1941, em Castelo Branco, duas escolas de bordados de Castelo Branco com o objetivo de recuperar e dinamizar a tradição do bordado de seda. Se retrocedermos a 1976 encontramos o Decreto 805/76, de 8 de Novembro. 
Este decreto cria no Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, depois de extinta a Mocidade Portuguesa Feminina, uma oficina-escola de bordados regionais. As peças que foram produzidas nesta oficina-escola estavam de acordo com os desenhos que faziam parte das peças originais, mas outros formatos foram adaptados. Os desenhos adaptados, com formatos mais pequenos, eram também mais acessíveis em termos de preço, e iam ao encontro de uma decoração mais actualizada (à época), tendo os painéis substituído, em parte, as colchas as quais eram produzidas mais por encomenda. E aqui fica mais uma achega acerca desta maravilhosa arte.
Bibliografia
Antunes, Maria Júlia; Cardoso, J. Ribeiro; Chaves, Luís; Moura, Maria Clementina. Artesãos da Região Centro. Coimbra, IEFP; Marcelo, M. Lopes. Beira Baixa. Lisboa: Editorial presença; Pinto, Clara Vaz. O Bordado e as Colchas de Castelo Branco. Lisboa, Ministério da Educação e Cultura.
 José Zêzere Barradas
O Albicastrense

segunda-feira, janeiro 19, 2015

BISPADO DE CASTELO BRANCO – (V)

LEMBRANÇAS....
Para a história do Bispado de Castelo Branco

(Continuação)
Duas palavras sobre a residência episcopal, o famoso Paço do Bispo, de curiosa história e tradição sem confronto, nesta cidade.
Ordenara-lhe a traça primitiva, D. Nuno de Noronha, 34º bispo da Guarda, um aristocrata letrado e teólogo, com registo nas crónicas dos fins do séc. XVI e alvores do imediato.
Filho de D. Sancho de Noronha, 4º conde de Odemira e alcaide-mor de Estremoz, e de D. Margarida da Silva, herdeira do 2º conde de Portalegre, fora escolar teólogo nos crúzios de Coimbra, mestre em Artes e bacharel em Teologia, eleito Reitor da Universidade pela corporação dos mestres e estudantes.
Obtende confirmação do Cardeal-Rei (1578), tomou graus de licenciatura e doutoramento (1584), não sendo excepcional que um estudante como ele ocupasse a prelazia universitária.
Filipe II o despachou para a Sé de Viseu (1586), e dali se transferiu para a Guarda (1594). A sua memória perpetua-se na edificação dos seminários diocesanos e na organização do Sínodo de 1579, em que se aprovaram as novas constituições deste bispado. Ora os bispos guardenses usufríam direitos episcopais, rendas e procurações, no termo de Castelo Branco, desde eras remotas.
O “gentilhomem de grande estatura e grandiosa trato na sua casa”, segundo os testemunhos do secretário Belchior de Pina e do Padre Carvalho, deliberou estabelecer aqui uma residência hibernal, para si e seus sucessores. A edificação primitiva (1596-98) abrangia somente uma parte da actual, “a que tem janelas rasgadas sobre o parque, sem o perystilo nem o salão de entrada e todo o corpo correspondente”.
Era um personagem faustoso do quinhentismo, evidenciado na conhecida visita a Filipe II, “para concertar alguns negocio do reino”, à própria residência da corte, em Madrid, capital de Espanha e, também – ai de nós! - de Portugal. Finava-se em 1608, arruinado na fazenda, a ponto de um sucessor na Mitra (desde 13 de Fevereiro de 1610), D. Afonso Furtado de Mendonça, doutor em Cânones e futuro bispo de Coimbra, arcebispo de Braga e de Lisboa, ter providenciar na aquisição em hasta pública, da quinta do bosque, pele falta de pagamento aos proprietários.
(Continua)

O Albicastrense

quarta-feira, janeiro 14, 2015

BISPADO DE CASTELO BRANCO – (IV)

LEMBRANÇAS....
“Para a história do Bispado de Castelo Branco”

(Continuação)
Eis as dignidades da novel diocese: primeiro vigário geral, o cónego Dr. Manuel Cardoso Frazão, arcipreste de Castelo Branco, que já desempenhava o cargo com o bispo da Guarda e, em seu nome, visitador ordinário em 1767 primeiro promotor de justiça, o Dr. Jacinto Pereira Goulão, de Alcains; primeiro escrivão da Câmara eclesiástica, o Padre João Baptista Castanheira, pouco depois substituído pelo Padre José Sabino, que vinha na companhia de Frei José. O que consta da seguinte noticia:
 “El Rey nosso Senhor o Senhor D. José no anno de 1771 creou cidade a v.ª de Castelo Branco e obteve de Sua Santidade, o desanexar   da ordem de Christo a igreja de S. Miguel e a deu para Sé da Cidade ao novo Bispo o Ex. mo R. Snr. D. Fr. Jose de Jesus M.ª Religioso q era de S. Deus, o qual foi sagrado em 10 de Novembro de 1771 e este elegeo p.ª Provisor ao Padre Mestre o Dr Frey Manoel Baptista Dourado Religioso da mesma ordem e para vigario geral ao Dr. Manuel Cardozo Frazão natural de Castelo Branco. Faleceu este em 5 de Abril de 73 de pellas onze horas da noite. O Ex.mo Snr. D. Frey Jose de Jesus Maria Caetano he natural de Lx.ª.
O Doutor Provisor o Senhor  Fr. Manoel Baptista he da cidade de Portalegre. Veio para Castelo Branco em 18 (13 ou 15?) de dezembro de 1771, e tomou posse do Bispado por procuração do Snr. Bispo em 21 de dezembro de 1771. Logo q. Tomou posse do Bispado o d.º Snr. Elegeo p.ª Promotor da Justiça o meu f.º o Dr. Jacinto Per.ª Goulão p.ª escrivão da Camara Eclesiástica ao mordomo q era do  Sr. Bispo Bernardo Antonio a Joaõ Baptista Castaneira mas q. Veio o Sr. Bispo nomeou p. Escrivão da Camara Jose Sabino q. Veio na sua compa.ª. Em Domingo 22 de novembro de 1772 pellas duas horas da tarde chegou o Snr. Bispo a Cidade de Castelo Branco”.
Pastoreou D. Frei José a diocese cerca de una dezena de anos, até á sua morte, a 13-VII-1782, e jaze no claustro do Convento de Santo António, actual Quartel de Caçadores 6.
(Continua)
O Albicastrense

domingo, janeiro 11, 2015

MONTE DE SÃO MARTINHO

A NOSSA HISTÓRIA
Há 480 milhões de anos havia vida no S. Martinho !!!!!

A Manuela Catana, este albicastrense só pode bater palmas e agradecer-lhe o seu trabalho sobre o "nosso" monte de S. Martinho.
Ao Pedro Salvado (que me honra por ser meu amigo), os meus parabéns por tudo o que tem feito pela proteção e divulgação do monte de S. Martinho, local onde a terra albicastrense deu os seus primeiros passos
Palavras de Pedro Salvado: Não deixa de ser ser uma feliz coincidência que o mesmo lugar onde se iniciou a ancestral lenda das origens da cidade, tenha impresso nas suas rochas provas das primeiras formas de vida” 
                                              O Albicastrense