terça-feira, outubro 30, 2012

UM VELHO EDIFÍCIO DA TERRA ALBICASTRENSE

Com a construção do novo Centro Coordenador Rodoviário de Castelo Branco, a zona da estação vai ser requalificada, na sequência desta requalificação, alguns edifícios existentes na zona vão ser mandados abaixo.
Entre os prédios que vão ser mandados abaixo, existe um que vai doer-me muito, pois até à presente data ninguém se pronunciou em seu favor.
As imagens que ilustram este “poust”, mostram-nos o velho edifício a que me refiro, edifício cuja história não conheço mas que imagino ter sido construído quando da construção da estação do caminho de ferro da cidade, (se assim for, o dito cujo terá mais de cem anos).
Cem anos de existência, mas muito mal apreciado e muito mal conservado por quem de direito. Entre os muitos edifícios que existem na terra albicastrense, este é sem dúvida um edifício único, derivado às suas características, uma vez que não conheço mais nenhum com a configuração que este tem em Castelo Branco.
Edifício construído em forma de funil, com uma frontaria que não encanta quem por ali passa, mas se essa pessoa se der ao trabalho de olhar não só para a frontaria, mas olhar igualmente para ele pela parte de trás, facilmente se aperceberá que está perante uma espécie rara na terra albicastrense.
Se este “estranho” edifício (quem terá sido o seu arquitecto?) for abaixo, será realmente uma pena, pois ele bem merecia ser recuperado e ficar no largo onde foi erguido.
Dirão alguns que as obras projectadas para o local são necessárias, e que o progresso não se compadece deste tipo de lamechice. Talvez assim seja... contudo, confesso que me faz toda a confusão do mundo ver mandar abaixo este velho e estranho edifício, para construir uma garagem para autocarros, embora lhe vamos chamar, Centro Coordenador Rodoviário de Castelo Branco.
O Albicastrense

domingo, outubro 28, 2012

COMENTÁRIOS - XIX

              Memórias da velha rua dos Ferreiros

Olímpio Matos disse...

Então, vamos dar uma ajuda. Primeiro, da rua dos Ferreiros: volto a rever, com saudade, o Tio Passarão (nunca lhe soube o nome próprio) à porta da sua carvoaria, alto, de bigode, sempre enfarruscado por dever de ofício; bem haja pela foto, que já guardei; já não lembrava que no piso superior funcionava a Sopa dos Pobres, com acesso pela porta ao lado e que a foto não mostra ; e confirmo que a série de portas no lado direito davam acesso, de cá para lá, à taberna de vinhos e petiscos "1º de Maio", à sede do Benfica e Castelo Branco e à Papelaria e Tipografia do Sr. Portela Feijão.
Confirmo o edifício onde funcionava o ISA (Instituto de Santo António, do Dr Victor Pinto, pai do Padre Feytor Pinto), mas não consigo dizer se os terrenos murados à esquerda eram pertença dos CTT ou seriam particulares e, neste caso, de quem.
Quanto à Ourivesaria Morão existiu de facto num rés-do-chão no quarteirão ao lado da Sé entre o edifício do Clube dos Caixeiros (hoje dos CTT) e a oficina de arranjo e aluguer de bicicletas (aos quartos de hora...) do senhor Mourinha ainda vivo, a residir em Almeirim, Santarém. Os ourives eram dois irmãos. O casado morava no primeiro andar da casa.
Votos de continuação. O M Matos

sexta-feira, outubro 26, 2012

GIL VAZ LOBO FREIRE


Ao consultar o livro de Maria Adelaide Neto Salvado, sobre a Capela de Nossa Senhora da Piedade, deparei-me com o nome de Gil Vaz Lobo. Personagem que foi enterrada no centro da capela-mor da ermita que na altura de chamava de S. Gregório, e que mais tarde viria a chamar-se, Capela de Nossa Senhora da Piedade. Tentei saber um pouco mais do homem que deixou em testamento, as seguintes disposições:
Celebração de 1000 missas por sua alma (200 das quais deveriam ser ditas em altar privilegiado). Dizia ainda no seu testamento; no dia do seu enterro, todos os sacerdotes que estivessem presentes diriam missa e recebendo “por esmola um tostão”; e igualmente determinou que nesse mesmo dia fosse dada a cada pobre que o acompanhasse “um tostão e uma vela”; e que quando fosse tempo, se transladassem os seus ossos para a capela da sua quinta de Odivelas e que nesse dia se fizesse, por sua alma, um ofício com missa cantada”.
Após alguma procura, encontrei no blog de história militar dedicado à Guerra da Restauração, o seguinte.

GUERRA DA RESTAURAÇÃO
Blog de História Militar dedicado à Guerra da Restauração ou da Aclamação, 1641-1668

Gil Vaz Lobo Freire – herói e vilão

Gil Vaz Lobo Freire, filho de Gomes Freire de Andrade e de D. Luísa de Moura, foi um dos mais incensados nomes do período da Guerra da Restauração. Participou com o seu pai no 1º de Dezembro de 1640, tendo sido um dos nobres insurrectos que procurou no Paço a Duquesa de Mântua, para a obrigar a abdicar do cargo de Vice-Rainha de Portugal. Tivesse a Duquesa o dom da premonição, teria razões de sobra para ficar muito preocupada com o jovem espadachim que lhe saíra ao caminho, cujas atitudes no futuro – durante a Guerra da Restauração – demonstrariam uma profunda indiferença pela vida humana. A par da bravura e valor no campo de batalha, Gil Vaz Lobo (é assim que é referido em quase todos os documentos) deixaria um rasto de crimes, que a sua posição social e influência na Corte conseguiriam, todavia, deixar impunes, livrando-se de condenações que pareciam tão severas como certas.
O nobre beirão cedo iniciou a sua carreira militar. Em Fevereiro de 1642 recebeu a patente de capitão de infantaria, passando a servir em Campo Maior com o seu pai. Em Novembro de 1645 foi promovido a capitão de cavalos, continuando a servir no Alentejo. A par das referências elogiosas às qualidades militares do oficial, surgem alusões ao seu carácter violento e criminoso. Os exemplos que aqui trago dizem respeito ao ano de 1652, onde num curto período Gil Vaz Lobo se viu a contas com a justiça por causa de vários crimes. No início desse ano, um grupo de mulheres de Campo Maior, encabeçado por uma Catarina Gomes, enviou uma carta ao Príncipe D. Teodósio, queixando-se da conduta de Gil Vaz Lobo e de outros militares. Quando, em carta datada de 21 de Março de 1652, o Príncipe ordenou ao mestre de campo general do Alentejo, D. João da Costa, e ao auditor geral do exército da mesma província, que abrissem um inquérito (uma devassa, como então se dizia) aos motivos da queixa, já era tarde demais. No livro de registos, à margem da cópia da carta, surge um acrescento recomendando que se iniciasse uma devassa à morte de Catarina Gomes.
Em Abril já Gil Vaz Lobo se encontrava na província da Beira, onde o governador das armas do partido de Penamacor (ou de Castelo Branco, como também era referido) D. Sancho Manuel pretendia nomeá-lo para o posto de comissário geral da cavalaria. A carta de 20 de Abril propondo o nome de Gil Vaz Lobo, enviada ao Príncipe D. Teodósio e observada no Conselho de Guerra, acabou por trazer à discussão os crimes recentes do oficial, que não se resumiam ao acontecido em Campo Maior. No entanto, os próprios conselheiros pareciam dispostos a fechar os olhos à conduta do capitão de cavalos e inclinavam-se para a aceitação da promoção, deixando à Coroa a última palavra. Segue-se a transcrição da consulta:
Nesta carta apresenta Dom Sancho Manuel a Vossa Alteza a grande necessidade que a cavalaria do seu partido tem de oficial maior que a governe porque, por falta dele, tem sucedido e sucedem muitas desordens com a liberdade que os soldados tomam, e pouco respeito com que procedem por não terem cabo maior a quem temam, arriscando-se por esta causa muitas vezes a mesma cavalaria e a reputação das armas de Sua Majestade e Vossa Alteza quando sucede ir buscar ao inimigo, ou em nossa defensa, ou em ofensa sua. E por todas estas razões pede Dom Sancho à Vossa Alteza se sirva de nomear para o posto de Comissário geral da cavalaria do seu partido a Gil Vaz Lobo porque, por seu valor e pelo conhecimento que tem daquela campanha, e por suas partes merece que Vossa Alteza o honre e lhe faça mercê, porquanto a Dom João Flux [capitão de cavalos alemão], a quem Sua Majestade foi servido de encarregar o governo dela, lhe sobrevieram tantos achaques que está impossibilitado por razão deles para exercitar o governo dela, e incapaz para montar a cavalo, havendo pouco de um ano que o não faz.
Vendo-se em Conselho a carta de Dom Sancho, pareceu fazer presente a Vossa Alteza a resolução que Sua Majestade tem tomado, de que os criminosos, enquanto não estiverem livres dos crimes que se lhe imputam, não possam ser providos em postos. E que Gil Vaz Lobo se livra de alguns crimes no juízo da assessoria deste Conselho em três processos, um deles sobre a morte de um homem sucedida em Estremoz, pela qual está sentenciado em final em pena de cinco anos de degredo para o Brasil e guerra de Pernambuco, e em duzentos mil réis para a parte com pregão em audiência. Esta sentença se não tem tirado do processo até agora, nem executada por não haver parte que o requeira.
Os outros dois processos são sobre o ferimento feito ao corregedor Sebastião Vieira de Matos e morte do seu escrivão; estes estando conclusos a final, se mandou acabar de tirar em Campo Maior certa devassa de outros casos em que também é culpado, e correr folha em Elvas, esta diligência há dias que se cometeu por cartas de Sua Majestade ao mestre de campo general e ao auditor geral em segredo, e até agora se não tem satisfeito a ela, e por se esperar resposta, se não acabam de sentenciar estes dois feitos.
Por ser este o estado em que se encontra o livramento de Gil Vaz Lobo, pareceu também ao Conselho representar a Vossa Alteza que se houver lugar de se poder dispensar no impedimento que Gil Vaz tem (conforme a resolução de Sua Majestade que fica referida) para haver de ser provido em posto, estando criminoso; e Vossa Alteza tiver por conveniente habilitá-lo para ir servir de comissário geral da cavalaria deste partido, será mui bem empregado nele todo o favor e mercê que Vossa Alteza nisto lhe fizer, por o merecer por seu valor e pelo zelo com que tem servido, e também por ter préstimo, experiência e particular génio para ocupar aquele posto. Lisboa 14 de Maio de 1652.
Entre os crimes cometidos no Alentejo a que a consulta se reporta, um é certamente o que envolveu a morte de Catarina Gomes, e os outros, os que originaram a queixa anterior ao desaparecimento da infeliz mulher. Apesar disso, prevaleceu a influência da poderosa linhagem dos Freires de Andrade, e Gil Vaz Lobo Freire não foi muito apoquentado pelos processos em que estava envolvido. Em Agosto de 1659 foi nomeado governador da cavalaria da Corte e comarcas do Ribatejo, sendo já nessa altura tenente-general da cavalaria da Beira.
Em Maio de 1669, mais de um ano após o final da guerra, Gil Vaz Lobo foi nomeado governador das armas da província da Beira pelo regente D. Pedro (futuro D. Pedro II). Viria a falecer em Castelo Branco em 1678.
Fontes: ANTT, CG, Secretaria de Guerra, Livro 16º, fl. 15; Consultas, 1652, mç. 12, consulta de 14 de Maio de 1652.

Ps. Seriam as mil missas e as esmolas, uma forma de pagar algumas das atrocidades que Gil Vaz Lobo cometeu ao longo da sua vida?
O Albicastrense

terça-feira, outubro 23, 2012

OBRAS NO VELHO PASSADIÇO ALBICASTRENSE


No dia 25 de agosto coloquei aqui um “post”, onde dava conta do início das obras, que estão a decorrer no velho Passadiço albicastrense.
Nele dizia a determinada altura, o seguinte: “irei mostrando imagens das obras que decorrem no passadiço, para que todos as possam acompanhar e comentar se assim o desejarem”.

Imagens que nunca mostrei, pela simples razão de dois meses depois, as obras estarem exactamente como estavam nessa altura. Parece que o marasmo se apoderou das obras e que a continuação dos trabalhos, está dependente do dia de S. Nunca à Tarde.
Perante este impasse que a ninguém parece preocupar, e ante o desinteresse demonstrado por todos relativamente à paragem das obras, só me resta mesmo perguntar aos responsáveis por este trabalho de recuperação, o seguinte:

Será que as obras foram embargadas?
Será que foi descoberto no velho Passadiço, alguma mina de ouro
Será que o velho Passadiço não se aquenta com os quilos de granito que lhe querem meter em cima, e só agora se aperceberam desse facto?

Agora mais a sério! É no mínimo indigno que a recuperação do velho Passadiço, (que deveria ser feita o mais rapidamente possível), se arraste no tempo sem que seja dada qualquer explicação aos albicastrenses.
Numa terra onde não existem muitos monumentos para mostrarmos a quem nos visita, será que os responsáveis pela recuperação do velho Passadiço, encontraram nos andaimes que o rodeiam, espectáculo de interesse turístico para mostrar a quem nos visita?
Palavra que por vezes dou comigo a pensar: Será que esta gente está toda maluca! Ou será... que eu ando a ver coisas onde elas não existem? Aceitam-se sugestões para esta minha interrogação.

                                        O Albicastrense

segunda-feira, outubro 22, 2012

O HIPÓLITO COMENTA VII


Cerca de quarenta anos depois, da publicação destes desenhos no antigo jornal “Beira Baixa”, aqui ficam mais dois desenhos do Hipólito.




Desenhos de Amado Estriga. Textos de João de Mendonça.

O Albicastrense

sexta-feira, outubro 19, 2012

ZONA HISTÓRICA DE CASTELO BRANCO

                      
                          UM TRABALHO ADMIRÁVEL...

Em Junho de 2011 postei aqui um “post”, onde relatava a recuperação de uma velha casa da zona histórica de Castelo Branco, (rua Arco do Bispo).
Perguntava eu nesse post, como era possível alguém recuperar a casa e deixar na fachada da mesma, o arraial de fios que já lá estava anteriormente, (como se pode ver na imagem que ilustra este post) assim como três caixas de metal da EDP.
Aos meus desabafos respondeu na altura o senhor José Martins Barata de Castilho, proprietário do imóvel:

Sou o proprietário da casa "bem restaurada", tudo com dinheiro do meu bolso; nunca pedi subsídios e é com muito orgulho que o digo, sobretudo nos tempos que correm.
Vou à casa com frequência, portanto ninguém pode sofrer mais do que eu com aquela inestética situação. Em devido tempo pesquisei e obtive informação de que aqueles cabos e horríveis caixas cinzentas são da EDP, Cabovisão e PT. Dirigi-me a essas entidades há muito, muito tempo, disseram-me que o material é deles mas que é à Câmara Municipal que incumbe passá-los pelas instalações subterrâneas (os tais tubos enormes de diferentes cores que se vêem a sair de perigosos buracos em toda a zona histórica). Dirigi-me a essa entidade várias vezes e na última disseram-me que os penduricalhos iam sair definitivamente e passar as ligações por baixo do chão até ao corrente mês de Junho. Ainda têm 11 dias para cumprir a promessa.
Para além de ter de suportar o mau aspecto da fachada dum edifício histórico, no qual viveram antepassados meus, sou prejudicado por ter o velho contador da luz "meio pendurado" à espera que o novo possa ser ligado, evidentemente pela baixada subterrânea”.

Dezasseis meses depois volto a este assunto, não para informar que os malfadados cabos e as miseráveis caixas já se evaporaram, (infelizmente tudo continuam na mesma), mas, para agradecer ao proprietário da casa em questão, José Martins Barata de Castilho, o simpático convite que me fez para visitar a casa agora totalmente recuperada.
Visitei a casa e confesso que fiquei de queixo caído, perante o excelente trabalho de recuperação feita no seu interior, e encantado por ter a oportunidade de ficar a conhecer a pintura deste albicastrense.
Numa altura em que o manda abaixo que é velho, ou   manda abaixo que não interessa parece ser a palavra de ordem, ver-se alguém recuperar o interior de uma velha casa, mantendo praticamente o seu interior tal qual como ele era há muitos e muito anos, é no mínimo digno de respeito e de admiração.

Dizer que a recuperação interior desta velha casa foi bem feita, é muito pouco, pois em meu entender o trabalho ali feito foi magnifico.
Atrevia-me inclusivo a dizer, que o trabalho feito na velha casa da família Cardoso, bem podia servir de exemplo para muitas instituições públicas, quando estas recuperam velhos edifícios históricos. 

Tive ainda a oportunidade de ficar a conhecer o pintor José Barata de Castilho e algumas das obras que ele pintou ao longo de quase 50 anos. Quadros que se encontram expostos nas paredes da casa agora recuperada. Espero, (muito sinceramente), que dia menos dia seja possível a quem o desejar, poder conhecer a pintura deste homem. 

Ao presidente da autarquia da minha terra, só posso mesmo propor que a autarquia albicastrense, estabeleça um protocolo com José de Castilho, para que seja possível incluir num possível roteiro turístico de quem visitar a zona histórica, a passagem “obrigatória” pelo número 14 da rua Arco do Bispo, (antiga casa da família Cardoso), para ficarem a conhecer a pintura deste albicastrense.

Terminava apelando aos responsáveis autárquicos da minha terra, para que sejam tomadas medidas para obrigar os responsáveis das empresas responsáveis pelos fios e caixas metálicas, (que se podem ver na imagem que ilustra este “post”), a removê-los ou arranjar forma de tornar aquela “tralha” muito mais apresentável.

Pintor José Barata de Castilho

Nasceu em Castelo Branco, 1944, estudou desenho e pintura em 1964 em Lisboa com o pintor Silvino Vieira. Mais tarde estudou pintura e estética na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa, onde obteve: Certificado do Curso de Iniciação à Pintura, 1991/92; Certificado do Curso Complementar de Pintura, 1992/93; Certificado do Curso de Estética de Arte, 1992/93; Certificado do Curso de Pintura - III, 1993/94. Foi aluno do Prof. Jaime Silva em todos estes cursos. Licenciado e doutorado em Economia, foi professor universitário em Lisboa, profissão que mudou em 2004 para pintor, em exclusivo.
Membro titular da Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa. Comissário do stand de “Portugal-País Invitado”, FAIM - Féria de Arte Independiente de Madrid, Outubro 2003.

O Albicastrense

terça-feira, outubro 16, 2012

A CAPELA DE NOSSA SENHORA DA PIEDADE

(RETALHOS DE DEVOÇÃO)
No passado domingo, a Capela de Nossa Senhora da Piedade, abriu portas aos albicastrenses para que eles pudessem observar, como ela ficou após as obras de requalificação promovidas pela autarquia albicastrense. Infelizmente não pude estar presente nesta cerimónia, contudo, espero poder visita-la o mais rapidamente possível.
A Capela de Nossa Senhora da Piedade, é com certeza a mais bonita Capela da terra albicastrense, porém se quiséssemos saber um pouco da sua história, muito dificilmente encontraríamos dados sobre ela.
Aproveitando esta cerimónia, Maria Adelaide Neto Salvado fez o lançamento do seu novo livro, livro que tem como tema, a Capela de Nossa Senhora da Piedade.
À Dr. Maria Adelaide Neto Salvado, este albicastrense só pode mesmo dar os parabéns por mais este livro, livro que segundo a autora, encerra uma leitura pessoal, sobre a mensagem contida nos painéis de azulejos da Capela.
O Albicastrense

sábado, outubro 13, 2012

ALBICASTRENSES ILUSTRES - XXIX

PADRE ANTÓNIO SOARES DE ALBERGARIA
Filho de Fernão Rodrigues Coimbra e de sua mulher D. Francisca Soares de Albergaria, nasceu em Castelo Branco às 8 horas e 20 minutas da noite do dia 10 de Outubro de 1585.
Faleceu em Almada, onde fundara sob o orago de Jesus, Maria, José uma ermita em que viveu retirado os seus últimos anos. Ordenado de presbítero, obteve um beneficio na igreja paroquial de Santo Estevão de Lisboa, onde também foi capelão de Santo Eutrópio e de S. Mateus.
Foi um dos mais distintos heraldistas-genealogistas portugueses e notável escritor, sendo autor de “Trofeus Lusitanos”,  que saiu impresso em 1632 e, consta dos brasões das armas do Reino, da família real e da nobreza de Portugal e, de “Respostas a certas objecçoes sobre os Troféus Lusitanos” impresso em 1634.
Deixou ainda manuscritos: “Triunfos da nobreza lusitana e origem de seus brasões”, (em 6 tomes); “Crónica dos Reis de Portugal desde o Conde D. Henrique até Filipe IV de Castela”; “Vida do Santo Eutrópio”; “Titulo de Coutinhos historiado”; “Tratado dos Santos Portugueses”; “Adágios” (em latim e português); e o “Livro de Armaria”, em que ensina e declara todos os modos e formas de escudos e suas significações.

Dados recolhidos na obra: Figuras Ilustres de Castelo Branco”, de Manuel da Silva Castelo Branco,
 O Albicastrense

quarta-feira, outubro 10, 2012

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - LXVI


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940. A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).

O texto está escrito, tal como foi publicado.
Os comentários do autor estão aqui na sua totalidade.
(Continuação)
Deve contudo notar-se que, se nenhuma sessão da Câmara se realizou nos meses de Maio, Junho, Julho e Setembro, houve em 21 de Setembro uma reunião do juiz de fora, vereadores e procurador do concelho “para effeito de na forma das ordens de Sua Magestade fazerem eleyção de tres pessoas para húa delas ser provida no cargo de Superintendente das Caudellarias desta  comarca de Castelo Branco que se acha vago por falecimento de Joaquim José Caldeyra Frazão”.

A respeito desta eleição lê-se no respectivo auto: “O Provedor do Conselho Francisco da Silva votou em primeiro lugar em Francisco da Fonseca Coutinho e Castro e por votar o Vereador que serve de mais mosso Jozé Caldeyra de Ordaz e ser presente o segundo Vereador João de Mendanha Valadares, se retirou este alegando a razão do proximo parentesco que tem com o segundo votado e em lugar deste foy chamado Diogo de Mesquita Miz da Fonseca que votou no dito Jozé Caldeyra para primeiro lugar com quem tãobem concordou o Vereador mais velho António Ignacio Cardoso Frazão.
Em consequência nomearão pela pluralidade de votos em primeiro lugar a Jozé Caldeyra de Ordaz filho de Joaquim Jozé Caldeyra Frazão. Fidalgo cavaleyro da casa de Sua Magestade e Mestre de Campo de Auxiliares, e Superintendente que foy das caudellarias desta Comarca pessoa de mais destinta Nobreza desta Província de boa indole capassidade e dezenteresse, que pessue em bens de raiz o milhor de cento e outenta mil cruzados”.

A ninguém deve oferecer duvidas que José Caldeira de Ordaz, foi eleito em primeiro lugar para o cargo de ”Superintendente das Caudelarias desta  comarca”, era o morgado da casa Ordaz, avô de outro morgado do mesmo nome, um pouco ampliado, que nós conhecemos muito bem e se chamava José Caldeira de Ordaz e Queiroz de Valadares. 
O segundo votado foi Francisco de Fonseca Coutinho e Castro, também da nobreza da nossa terra. Deve ter sido avô (ou pai?) do Visconde de Portalegre, que tinha os apelidos Fonseca Coutinho e Castro de Refoios.
O votado em terceiro lugar foi Diogo da Fonseca Barreto e Mesquita, que deve ter sido da família dos Viscondes de Oleiros de quem é neto o Dr. Francisco Rebelo de Albuquerque, que também é Mesquita e Castro.
(Continua) 
PS. Mais uma vez informe os leitores dos postes “Efemérides Municipais”, que o que acabou de ler é, uma transcrição fiel do que foi publicado na época.
 O Albicastrense

domingo, outubro 07, 2012

VELHAS IMAGENS DA MINHA TERRA – XXVIII

CASTELO BRANCO ERA ASSIM ....

Que local vemos nós nesta imagem?

A imagem que desta vez coloco à descoberta dos albicastrenses que visitam este blog, é uma imagem que faz parte das minhas memórias, uma vez que em criança ainda andei por este local, tal como ele se vê nesta imagem.
Ela terá sido captada nos anos 40 do passado século, contudo, só nos anos sessenta, este local começou a sofrer transformações.
O local que esta velha imagem nos mostra, é nos dias de hoje muito diferente, por isso, para os mais jovens aqui fica uma pequena ajuda. A rua tem nome de artistas, artistas que infelizmente nos dias de hoje já não têm residência nela. Para bom entendedor penso que esta dica é mais que suficiente.

PS. Tal como das outras vezes, as respostas certas só serão publicadas dois ou três dias depois, para que todos possam responder.

O Albicastrense

sexta-feira, outubro 05, 2012

ZONA HISTÓRICA DE CASTELO BRANCO




Símbolo Judaico colocado
nas ruas da
Zona Histórica albicastrense
Muitos anos depois das malfeitorias, que alguns dos nossos antepassados cometeram contra os judeus na terra albicastrense, resolveram os responsáveis autárquicos da minha terra, perpetuar no piso de algumas ruas da zona histórica um símbolo Judaico. Símbolo que irá indicar a quem visitar a nossa zona histórica, o local da antiga judiaria (1) da cidade de Castelo Branco.
Embora este pequeno gesto seja apenas simbólico, convém ver nele muito mais que simbolismo, pois as atrocidades cometidas contra judeus na terra albicastrense, nunca deverão ser esquecidas.
Durante os séculos XVI, XVII e XVIII, foram levantados cerca de 400 processos na inquisição, por denúncia de judaísmo contra naturais, ou moradores de Castelo Branco.
Aos responsáveis pela ideia, este albicastrenses cuja família reside há mais de trezentos anos em Castelo Branco, só pode mesmo dar os parabéns por este acto de justiça.

(1) “Judiaria” - Judiaria ou bairro judeu, era a parte de uma cidade onde eram obrigados, (por lei ), a residir os judeus
Por extensão, o termo aplica-se a qualquer parte de um aglomerado populacional habitado maioritária ou exclusivamente por pessoas de cultura judaica
O Albicastrense

terça-feira, outubro 02, 2012

CAFÉ AVIZ


O ULTIMO DOS VELHOS CAFÉS
O café Avis fechou no passado domingo as suas portas ao público. Consta que na próxima quinta-feira, (4 de Outubro) se irá realizar uma reunião entre a atual gerência e credores, para decidir se este encerramento é definitivo.
Sessenta e oito anos depois da sua abertura, o últimos dos velhos cafés da terra albicastrense, parece correr o risco de encerrar definitivamente as portas aos albicastrenses.
Que tristeza minha gente! Primeiro caiu o café Arcádia, depois tombou o Lusitânia e agora vai desabar o Avis.
Sessenta e oito anos depois da sua abertura, lançava aqui uma pergunta aos albicastrenses que visitam este blog:

- Será que na terra albicastrense estamos condenados a deixar morrer tudo o que vem do passado?
- Será que ao contrário de muitas outras terras que protegem os seus velhos locais de convívio, os albicastrenses vão ficar (mais uma vez) quietinhos no seu cantinho, crendo que nada se possa fazer para evitar mais este desaparecimento?

Quem conhece o largo dos cafés?

Era assim ainda não há muito tempo, que os albicastrenses chamavam ao local onde os citados cafés tinham residência. Hoje, este local bem podia chamar-se o largo onde os cafés antigamente tinham habitação.
Palavra que tenho pena de ser um teso crónico, pois se assim não fosse, adquiria este espaço, dava-lhe o esplendor que já teve noutros tempos, (com porta giratória e tudo) e ponha-o ao serviço da terra albicastrense.

UM POUCO DE HISTÓRIA

As obras de construção deste café, iniciaram-se em 1943. A inauguração aconteceu no ano seguinte.
Teve como seu primeiro gerente, Manuel da Fonseca Ribeiro. Contrariamente ao café Lusitânia que era frequentado pela classe operária, ou pelo café Arcádia, que era frequentado pela classe média. O Avis tinha como frequentadores a classe mais abastada da terra albicastrense, quando da sua abertura.
Durante mais de trinta anos, este café manteve-si inalterável, contudo, no início da década de setenta do século passado, perdeu as suas portas giratórias (quem entre os mais velhos, não se lembra delas!), portas que foram substitutas por portas de vidro que ainda hoje lá podemos ver.
No final da mesma década, alguém “muito iluminado” resolveu dar a machadada final, transformando a sala de convívio numa espécie de sala Senek-bar, construindo no seu interior um balcão em quadrado para ali servir pequenas refeições, situação que ainda hoje ali existe.
O Albicastrense

A RUA DA MINHA ESCOLA – (IX)

(ESCOLA DO BONFIM)                               O que sabemos nós da rua da nossa escola primária?    (Rua do Bonfim)         ...