quarta-feira, junho 29, 2016

EFEMÉRIDES MUNICIPAIS - CIX


A rubrica Efemérides Municipais foi publicada entre Janeiro de 1936 e Março de 1937, no jornal “A Era Nova”. Transitou para o Jornal “A Beira Baixa” em Abril de 1937, e ali foi publicada até Dezembro de 1940.
A mudança de um para outro jornal deu-se derivada à extinção do primeiro. 
António Rodrigues Cardoso, “ARC” foi o autor desde belíssimo trabalho de investigação, (Trabalho que lhe deve ter tirado o sono, muitas e muitas vezes).
 (Continuação)
 (Continua)           
                                      O Albicastrense

segunda-feira, junho 27, 2016

COMENTÁRIOS - XXV

A NOSSA ZONA HISTÓRICA
O comentário que desta vez estou a postar, foi deixado em esclarecimento a um poste sobre a zona histórica da terra albicastrense. Ao seu autor, só posso dizer bem-haja pelo esclarecimento que nos deixou, alegando que talvez a publicação do seu comentário como poste, possa despertar consciências adormentadas na defesa da nossa zona histórica.
A quem dirige a autarquia albicastrense, não
posso deixar de esgrimir o seguinte:
Tendo a autarquia albicastrense gasto milhões e milhões de euros na recuperação da nossa zona história, este albicastrense não consegue entender que a política empresarial de terminadas empresas “não querem gastar dinheiro com a passagem dos cabos aéreos para os tubos subterrâneos, que já lá estão”, se sobreponham aos interesses da nossa zona história e dos albicastrenses.
Aos albicastrenses posso esgrimir igualmente o seguinte: Se não fosse muita ousadia minha, quase que implorava aos albicastrenses, para que de futuro pensassem melhor antes de assinar contratos de fornecimento de serviços de comunicações com determinadas empresas, empresas que tão mal tratam a nossa terra.

José de Castilho disse...
Tem toda a razão nos comentários relativamente aos dois casos que aqui expôs. Quanto aos horríveis cabos e caixas metálicas cinzentas que desvalorizam o aspecto da fachada principal da minha casa (e a fachada lateral também) ando há 5 anos a lutar pela sua remoção, mas como as obras se iam arrastando sempre tinha a esperança que mais dia, menos dia o assunto fosse resolvido. 
Há para aí uns dois meses concluí que aquilo não saía da cepa torta, pois a EDP, à minha revelia, andou a fazer buracos nas minhas fachadas e a fixar definitivamente os cabos pendurados provisoriamente em ferros desde o final das obras. Para que as fiadas fossem na horizontal, até traços de fio de pedreiro azul fizeram por cima da pintura branca com tinta de silicato, que o IGESPAR exigiu.

Então, fui falar com o Sr. Presidente da Câmara, que me recebeu com muita simpatia e se prontificou a fazer todos os esforços para que o problema seja resolvido. O que ele me disse foi que esta situação ainda não foi resolvida porque a EDP, a PT e a Cabovisão (parece que também é TV Cabo, agora) não querem gastar dinheiro com a passagem dos cabos aéreos para os tubos subterrâneos, que já lá estão. Escrevi uma carta a cada uma das companhias a intimá-las a retirar os cabos, que foram ali colocados sem minha autorização. A EDP foi a que mais se preocupou em dar-me resposta, pois escreveu-me e mandou lá um responsável. Mas empurrou a solução para a responsabilidade da Câmara. 
O senhor que lá foi disse-me o mesmo que me tinham dito por telefone, que podiam tirar de lá os cabos se eu pagasse a despesa. Respondi que ali não é nenhuma empresa turística, que ganhe dinheiro com o visual da fachada, para arrecadar receitas e lhes pagar, que ali é um edifício com interesse histórico (tem o brasão mais antigo da cidade), mas uma mera casa particular.
É feio ver aquilo para quem ali passa, que fica mal impressionado, a começar por mim, mas não me compete custear o bom visual duma parcela da cidade.  Fiquei a saber, pelo senhor da EDP que lá foi, que as horríveis caixas cinzentas não são deles mas sim da Cabovisão. A Meo (PT ou lá o que é) não se dignou responder-me.
A Cabovisão respondeu-me com delicadeza que estão a estudar o problema. Não bastavam estes desgostos, quando tive mais um: o horrível grafito de medonhas letras rabiscadas por cima da tal tinta de silicato, na fachada principal.
Bem, vou mandar limpar aquilo e pintar, quando já lá não houver fios nem caixas metálicas. Sobre isto, o comentário principal de interesse para os albicastrenses, é que ali não há policiamento nenhum, a zona histórica está entregue à bicharada durante a noite. Só por milagre não acontecem coisas piores.
Roubaram-me das portas laterais as maçanetas metálicas desenroscáveis por fora e não fui o único contemplado. E tanto quanto consta não são moradores da zona que fazem isso. Resta-me esperar que o Senhor Presidente da Câmara Municipal, pessoa que muito admiro e por quem tenho elevada consideração, consiga resolver estes problemas.
José Martins Barata de Castilho
O Albicastrense

sexta-feira, junho 24, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (XIII)

 Quando Neste Mundo só era Feliz
 o que Acertava Morrer bem.
(Continuação)
Assento 22 (S2 - 10, fl. 522v) - Francisco Rafeiro, natural desta vila, faleceu com todos os sacramentos em os 26 do mês de Janeiro de 1738. Fez testamento, em que deixou 1500 missas por sua alma e outras mais por parentes, e outros legados mais; e, ultimamente, instituiu a sua alma por herdeira e vinculou a sua fazenda com obrigação de missas por sua alma, como consta do mesmo testamento. E, para constar, fiz este assento que assinei dia, mês e ano «ut supra».
(Declaro que foi sepultado nesta igreja em cova de fábrica). / O Vig° Frei Manuel Rodrigues Corugeiro.
Comentário
O L. do Francisco Rafeiro, natural de Castelo Branco e baptizado na igreja de Santa Maria a 21.2.1661, era filho do boticário António Vaz Mendes e de sua mulher D. Branca Rafeiro. Frequentou a Universidade de Coimbra, onde se matriculou em Medicina a 1.10.1681 e concluiu o seu curso a 26.6.1687, passando ao exercício da clínica médica na terra natal e ali falecendo, solteiro, a 26.1.1738 (Assento 22).
Seguindo a inspiração e o exemplo de outros varões ilustres, o Dr. Francisco Rafeiro deixou o seu nome ligado a diversas ações de benemerência. Assim: legou à Misericórdia de Castelo Branco todos os bens de raiz; instituiu ainda um legado de 100000 réis para dote de casamento de 5 órfãs; doou as suas casas «novas e nobres», sitas na Rua do Postiguinho de Valadares, para vivenda dos párocos de S. Miguel; custeou a magnífica obra de azulejo, levada a cabo na antiga ermida de S. Gregório (atualmente, capela de Nossa Senhora da Piedade).
Por tal motivo, no pavimento da referida capela e defronte da porta travessa, foi gravado em azulejo o seguinte letreiro: - Esta obra de azulejo e / Pavimento se fez com o /dinheiro do doutor Francis/co Rafeiro já defunto p/e de se um P. Nosso Ave-maria pela sua alma / 1739. (35)
Por se encontrar doente e «com excessiva dor no braço direito», não pôde o Dr. Francisco Rafeiro redigir o seu testamento, lavrado a 26.12.1737 pelo patrício e amigo, o Padre - Mestre Frei Manuel da Rocha, doutorado em teologia pela Universidade de Coimbra, Abade Geral dos monges de Alcobaça, membro da Academia Real da História, etc. Dele extraímos uma parte que consideramos muito significativa.- «Em nome de Deus trino e uno, Ámen.
Este é o testamento que faço eu Francisco Rafeiro, estando enfermo na cama e em meu juízo perfeito, qual o mesmo Senhor foi servido de me dar. Primeiramente, encomendo a minha alma a Deus, que a criou e a remiu como seu preciosíssimo sangue e em cuja santa fé cristã fui criado, vivi e determino morrer, recorrendo às chagas de meu Senhor Jesus Cristo para que, mediante elas, consiga perdão das minhas grandes culpas.
Da mesma sorte, rogo e peço à Virgem Santíssima da e dade a queira ter comigo, sendo minha advogada e intercessora diante de seu unigénito Filho para que, quando a minha alma se afastar do meu corpo e for chama da ajuízo, me assista a valha; para que, por sua infinita misericórdia, se me conceda aquele sumo bem e felicidade eterna de que gozam os seus escolhidos e santos...
Considerando a pouca duração do mortal e que neste mundo só é feliz o que acerta morrer bem que o corpo se deve dar à terra de que foi formado, ordeno e mando que, quando Deus for servido de me chamar para si, seja o meu corpo amortalhado no hábito de S. Francisco e sobre ele a véstia de meu Padre S. Pedro, de que sou indigno irmão; e, assim, que me levem à igreja de S. Miguel e nela me sepultem, junto quanto for possível das sepulturas em que jazem minha mãe e minha irmã e minha sobrinha, que é junto do degrau do altar de S. Francisco Xavier
…. Mais mando que, no dia do meu ofício, se dê a cada preso dos que se acharem na cadeia um tostão de esmola e a cada enfermo, que então se achar no Hospital, outro tostão... À Senhora da Piedade, minha especial advogada, deixo uma moeda de ouro, que o meu testamento aplicará para aquilo que julgar mais necessário para o seu altar”... (36)
(Continua)
                                                  O Albicastrense

terça-feira, junho 21, 2016

GEORGIO MARINI

UM PINTOR  ITALIANO
 NA 
TERRA ALBICASTRENSE
Nos últimos anos postei aqui vários postes sobre Giorgio Marini, pintor Italiano de Florença que se fixou em Portugal. O pintor viveu algum tempo nos Açores assim como noutras localidades do nosso país. 
Nos últimos anos da sua vida, fixou-se em Castelo Branco, local onde morreu a 8 de julho em 1905, tendo aqui ficado sepultado. 
O meu interesse por este pintor, deve-se a um interessante trabalho publicado por Luís Pinto Garcia na revista “Estudos de Castelo Branco”, (Junho de 1961). 
Marini, pintou retratos, flores, paisagens e cenas históricas e religiosas. 
Muitas foram as pessoas que me contactaram por causa dos referidos postes, uns porque têm quadros seus, outros, procurando saber mais sobre ele. Também eu, procurei saber mais sobre o pintor que escolheu a terra albicastrense para fim de vida, nessas tentativas encontrei nos Açores um belíssimo quadro dele na Igreja Matriz de Ponta Delgada (Capela do Batisférico). 
- Retábulo de São João Batista na cena do Jordão. Também chamado de Altar das Almas, o homem ao fundo de barba castanha curta é auto-retrato de Marini. (Imagem foi-me oferecida por, Carlos Melo Bento). 
As imagens 1 e 2 deste poste foram-me enviadas por determinada pessoa, se alguém estiver interessado em adquirir um destes quadros, pode deixar mensagem que eu depois encaminhe-o para o proprietário das obras. 
Vou continuar a procurar mais dados sobre este homem que escolheu a terra albicastrense para morrer. 
O Albicastrense

domingo, junho 19, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (XII)

 O HORROR DA FALSA MORTE
(Continuação)
Assento 21
 (S2 - 10 B, fl. 273v) - José filho legítimo de José António Morão e de sua mulher Luísa Violante desta cidade, neto paterno de Gaspar Mendes Morão da vila de Idanha-a-Nova e de Guiomar Henriques da vila do Fundão e, materno, de António José de Paiva da vila de Idanha-a-Nova e de Branca Maria natural de Salvaterra do Extremo, nasceu aos três dias do mês de Setembro de 1787 e foi solenemente baptizado por mim, o vigário abaixo-assinado, aos 18 do dito mês e ano, sendo padrinhos o capitão José Pessoa Tavares e Leonor Pereira da Silva (por quem tocou seu filho António) e, sendo testemunhas, a R. do Carlos José Machado e a R. do António da Maia Nogueira, de que fiz este termo que assinei/O Vig° encomendado Manuel dos Reis Soares.
Comentário
O Assento 21, que acabamos de transladar, dá-nos uma rapidíssima visão da primeira cerimónia em que participou como principal figura o baptizado, cujo nome completo seria o mesmo do pai, José António Morão. Frequentou a Universidade de Coimbra, onde se matriculou em Matemática e Medicina, formando se nesta última ciência a 6.7.1812, depois de um curso distinto. No ano seguinte (1813), estreia-se na vida profissional como médico do partido em Almada, ali permanecendo cerca de 10 anos. De regresso à terra natal, obtém um cargo de médico municipal no qual é confirmado por provisão régia (Lisboa, 14.5.1823) (31) e irá exercer com a maior proficiência até 1846.
No decurso deste período e nos anos seguintes, desempenha com grande zêlo e distinção diversas funções de natureza política e administrativa: deputado da nação pela província da Beira Baixa (1834); vogal do primeiro Conselho do Distrito de Castelo Branco (1836) e seu governador civil interino (de que houve louvor pela portaria de 8.1.1848); 2° Reitor do Liceu e Comissário dos Estudos do distrito de Castelo Branco, por carta régia de 12.3.1852 (32); Provedor da Misericórdia (1864), etc. Espírito culto, foi o principal entusiasta e fundador da “Sociedade Civilizadora”, organizada em Castelo Branco nos finais de 1836; conhecedor de várias línguas, traduziu e publicou algumas obras literárias; bibliófilo distinto, reuniu na sua casa da Rua do Pina uma valiosa livraria, constituída por mais de 3000 volumes e que iria legar ao público municipal albicastrense.
Solteiro e com quase 78 anos de idade, continuava a manter uma intensa actividade clínica, vindo a falecer subitamente, vitimado por hemorragia cerebral, a 1.8.1864. Nesse dia, como descreve o Dr. José Lopes Dias, tinha regressado das visitas habituais à sua residência e encontrava-se a desinfectar as mãos quando, sem um repelão nem um grito, tombou prostado sobre o lavatório. (33). O testamento do Dr. José António Morão, feito em Castelo Branco a 8.12.1863, proporciona uma curiosa imagem da sua personalidade. Ele permite-nos penetrar um pouco no íntimo das suas preocupações, entre as quais sobressai o horror que sentia pela falsa morte, como se infere da seguinte determinação:
 - «Pretendo que o meu corpo não seja soterrado enquanto ele não começar a exalar o cheiro do cadáver, se Deus Nosso Senhor tiver sido servido levar-me de morte repentina; se, porém, esta for em consequência de alguma atroz enfermidade, aguda ou crónica, enquanto o hirto e o glacial de meus membros ou sinais evidentes de gangrena externa não atestarem a extinção completa das funções vitais do meu ser»
... Ainda sobre a sua morte, deixou outras disposições interessantes, com que concluímos este comentário:
 - «Pretendo ser levado à sepultura (rasa e sem qualquer lápide) tão longe da abjecção como da vaidade... Peço, já que não posso proibir, que os meus parentes não trajem luto por minha morte além do tempo marcado pela pragmática destes reinos e que os meus criados o não vistam por mais de três dias, se tanto ainda quiserem fazer». (34)
(continua)
                                         O Albicastrense

sábado, junho 18, 2016

PARABÉNS ANTÓNIO SALVADO


O jornal Reconquista publicou esta semana na pagina dedicada   aos seus leitores, o artigo que aqui 
pode ser lido.




As palavras de Fabião Baptista sobre o poeta António Salvado, não podiam deixar de aqui ser postadas. 
Palavras que este albicastrense toma como suas, na falta de engenho e arte para as escrever. A Fabiao Baptista, este albicastrense só pode mesmo dizer bem-haja em nome de todos os albicastrenses.
                                         O Albicastrense 

quinta-feira, junho 16, 2016

ZONA HISTÓRICA DA TERRA ALBICASTRENSE


Em Janeiro de 2016 publiquei aqui um poste sobre a casa que podemos ver nas imagens, (Rua dos Ferreiros). 
Quatro meses depois, a situação foi totalmente resolvida como se pode ver na imagem captada por mim esta semana. Cabos, tubo da caleira, assim como  caixa electrifica, foram removidos do local. 
Aos responsáveis pela resolução do triste espetáculo que ali estava exposto, (autarquia albicastrense) este albicastrense só pode dar os parabéns.
Em 2011 postei neste blogue, uma situação muito semelhante à da Rua dos Ferreiros passada na rua do Arco do Bispo, (casa pertencente a José Martins Barata Castilho).
Cinco anos depois, (12-06-16) fui ao local para ver como estava a situação do palacete em causa. 
A imagem captada é ainda mais tristonha que em 2011, pois um idiota armado em "pintor", resolveu borrar a parede da casa com palermices. Perante a resolução da casa da rua dos Ferreiros, este albicastrense só pode pedir a quem tomou as devidas previdências, que também este caso merece ter "rapidamente" um final feliz. 
Não é compreensível que alguém tenha gasto uma pipa de massa na recuperação do antigo palacete, e que, cinco anos depois nada tenha sido feito para retirar dali os cabos e as  medonhas caixas eléctricas.
Resta acrescentar, que em 2012 visitei a referida casa a convite de Barata Castilho, podendo pois afirmar que fiquei com os olhos em bico perante a recuperação excepcional feita pelo seu proprietário. 
Terminava apelado ao atual presidente da nossa autarquia, (pessoa por que tenho grande consideração) para que tome medidas junto dos responsáveis que fornecem serviços de televisão e energia eléctrica, para resolverem esta triste situação e, apelar às citadas entidades para que sejam mais responsáveis em situações futuras.  
                                                          Albicastrense

terça-feira, junho 14, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (XI)

 História da Lápide Sepulcral Biface
 (2ª parte)
(Continuação)
Assento 20 ( S2 - 50, fl. 68v) 
- O Excelentíssimo Senhor D. Frei Vicente Ferrer da Rocha, da Sagrada Ordem dos Pregadores, segundo bispo desta diocese, faleceu aos 25 dias do mês de Agosto de 1814.
Recebeu somente o sacramento da extrema unção (por não dar lugar a mais um acidente) e foi sepultado no adro desta igreja, segundo a determinação do mesmo senhor, de que fiz este termo que assinei / O Vigº encomendado Manuel Mendes de Abreu. 
À margem: - No dia 23 de Outubro deste ano de 1943, foi feita a trasladação dos restos mortais do bispo D. Vicente Ferrer da Rocha, falecido em 25 de Agosto de 1814, do adro da Sé de Castelo Branco para uma sepultura da capela-mor da mencionada igreja da Sé / O Conservador Adelino de Sousa.

Comentário
D. Frei Vicente Ferrer da Rocha, nascido a 5.4.1737 na freguesia de Santos-o-Velho (Lisboa) e religioso professo da Sagrada Ordem dos Pregadores, tomou posse do bispado de Castelo Branco em 7.3.1783 e, nesse mesmo ano, foi eleito por aclamação Provedor da sua Misericórdia.
Ao seu génio empreendedor se devem importantes melhoramentos: a ampliação do Paço Episcopal com o corpo do lado Norte, o estabelecimento do monumental peristilo da entrada nobre e a decoração da capela, janelas e salas, onde predominam os estuques artísticos; o alargamento e beneficiação do Jardim do Paço; a construção dos dois corpos laterais da igreja da Sé, formados pela formosa Capela do Santíssimo Sacramento e pela Sacristia Grande e Câmara Eclesiástica, etc. Atravessou o 2º bispo de Castelo Branco um período difícil durante as invasões francesas (1807-1812), tendo falecido a 25.8.1814 (como refere o Assento 20) de uma apoplexia que lhe deu no dia 22, sendo sepultado de acordo com as suas determinações no adro da igreja da Sé, quase em frente da porta da Sacristia. (28)
Ora, ao procederem à sua inumação cometeu-se um acto para o qual não encontrei ainda qualquer justificação satisfatória...

Assim, a fim de cobrir a sepultura de D. Frei Vicente utilizou-se a mesma campa que havia 86 anos tinha sido colocada sobre a de D. Joana Maria Josefa de Meneses, como contei na 1° parte desta história. Para o efeito, virou-se ao contrário e sobre a nova face vista (o anverso da anterior) gravaram-se, igualmente, as armas do Prelado com as respectivas insígnias e um letreiro identificativo contendo a data do seu falecimento.
Deste modo surgiu a chamada lápide sepulcral biface (isto é, com epígrafes diferentes nas duas faces) a qual, durante cerca de 129 anos, permaneceu no adro da Sé sem qualquer proteção ou resguardo dos agentes atmosféricos, pessoas e animais... Talvez por esse motivo e/ou pelo trabalho mais apressado do canteiro, o seu lavor apresenta-se um pouco sumido e menos perfeito que o primeiro. Porém, uma vez mais o destino viria alterar esta situação pois, a 23.10.1943, (como se indica no averbamento ao Assento 20) procedeu-se à exumação dos restos mortais do Bispo e à sua trasladação para um sarcófago colocado sob o arco cruzeiro da capela mor da mesma igreja, em conformidade com as instruções de D. Domingos Frutuoso, então bispo de Portalegre... (29)
Quanto à lápide sepulcral biface manteve-se ainda durante algum tempo no adro da Sé, recolhendo finalmente ao Museu... (30
(Continua) 
                                                O Albicastrense

domingo, junho 12, 2016

DECLARAÇÃO DE “AMOR” A CASTELO BRANCO

EU SOU, CASTELO BRANCO!..”

Eu sou Castelo Branco, pois nasci bem no
coração de terra albicastrense!

Emanei na Antiga rua de S. Marcos, hoje falada de Francisco Tavares Proença Júnior.
Quando faço esta minha declaração, muitos dos meus amigos questionam-me:

“QUE RAIO É ISSO DE SERES CASTELO BRANCO?” 
- Ser Castelo Branco, é entrar na biblioteca albicastrense e poder exibir um sorriso do tamanho do mundo, pelo magnífico trabalho ali realizado.
- Ser Castelo Branco, é visitar o atual parque da terra albicastrense e sentir as lagrimas a cair-nos dos olhos, pela ausência do velho parque da cidade.
- Ser Castelo Branco, é deambular pela devesa e ter o convencimento que o local orgulha os albicastrenses de hoje.
- Ser Castelo Branco, é passar pelo velhinho Chafariz de S. Marcos ou qualquer outro monumento albicastrense nas condições miseráveis em que ele se encontra, e ouvirmos dentro de nós uma vós, a gritar-nos: “Como foi possível deixarem chegar este magnifico chafariz, ao deplorável estado em que ele se encontra?
- Ser Castelo Branco, é sentir o coração a bater mais forte, sempre que ouvimos falar da terra albicastrense.
Ou seja: Ser Castelo Branco, é não ficar silencioso perante situações que prejudiquem ou depauperam a terra albicastrense.
O Albicastrense

sábado, junho 11, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (X)

AMOR E A MORTE... NOS ANTIGOS REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES.
                                                         Por Manuel da Silva Castelo Branco

 História da Lápide Sepulcral
Biface - (1ª parte)
(Continuação)
Assento 18 (S2-10, fl.478) –
A Excelentíssima Senhora D. Joana Maria Josefa de Meneses, mulher do Excelentíssimo Senhor D. Brás Baltazar da Silveira, Governador das Armas desta Província, faleceu a vinte dias de Novembro de 1726 e está sepultada nesta igreja de S. Miguel, em sepultura de fábrica, de que fiz este assento que assinei dia, mês e era «ut supra». O Vig° encomendado João Rodrigues Goulão. À margem esquerda: - Declaro que a sepultura é própria por se dar por ela a esmola costumada de 8000 réis para a fábrica, com autoridade de Sua Ilustríssima (o que consta do Livro da Fábrica) / Goulão.
À margem direita: - Declaro também que na mesma sepultura em que foi sepultada a Ex. ma Senhora D. Joana (de cujo óbito é este Assento) foi sepultado juntamente um filho, de cujo parto faleceu Goulão. 
Outro Adiantamento: - Esta sepultura foi aberta, como consta do Assento fl. 486v / Corugeiro.

Assento 19 (Ibid., fl. 486v)
 - Aos vinte dias do mês de Setembro de 1728, se abriu a sepultura em que foi sepultada a Ex. ma Senhora D. Joana Maria Josefa de Meneses, cujo Assento está a fl. 478. E, constando da identidade dela e do corpo da dita Ex.ma Senhora, se tornou a fechar com campa de pedra inteiriça, com suas armas e letreiro que declara estar ela ali sepultada, de que tudo se fez Auto assinado pelos que estiveram presentes e de que fiz este Assento demandado de Sua Ilustríssima dia, mês e era «ut supra» / O vigº Manuel Rodrigues Corugeiro.
Comentário
No Assento 18, vemos o registo de óbito de D. Joana Maria Josefa de Meneses, filha segunda dos 2º condes de Santiago de Beduído e primeira mulher de D. Brás Baltazar da Silveira, então Mestre de Campo General dos exércitos de Sua Majestade (D. João V) e Governador das Armas da Província da Beira. Este casal pertencia à alta nobreza do reino e assistia, temporariamente, na vila de Castelo Branco desde meados de 1721... Aqui lhes nascera, a 6.2.1722, sua 2ª filha D. Luísa Amónia Francisca da Silveira (a 1ª, D. Leonor da Silveira, havia falecido com poucos meses, a 3.2.1721); a 3ª filha, D. Maria Inácia da Silveira, fora baptizada na praça de Almeida, a 18.2.1723; desta vez seria o primeiro filho mas a adversidade negou-lhe a existência bem como a sua mãe.
Os corpos da infeliz dama e do fruto do seu amor ficaram pois depositados (a 20.11.1726) na igreja de S. Miguel, em sepultura de fábrica adquirida por 8000 réis... Através do Assento 19, sabemos que cerca de dois anos mais tarde, a 20.9.1728, procederam à abertura daquela sepultura e, depois de revista e identificados os restos mortais de D. Joana, «se tornou a fechar com campa de pedra inteiriça, com suas armas e letreiro que declara estar ela ali sepultada».
Na ausência de outros elementos documentais mais esclarecedores, não podemos deixar de nos interrogar sobre o motivo de tal diligência. No entanto, a resposta parece simples e de certo modo convincente: - D. Brás Baltazar da Silveira, ainda viúvo e no exercício do referido cargo, quis honrar a jazida da mulher, mandando colocar sobre ela uma campa que dignamente perpetuasse a sua memória.
Efectivamente, o artista encarregado deste trabalho esculpiu na face exposta da laje granítica, com 2,14 m de comprido por 0,86 metros de largura e 0,23 metros de espessura, uma bem ordenada composição repartida por duas partes. Assim, na de cima lavrou o escudo com as armas da família de D. Joana e, por baixo, a epígrafe latina cujo teor é o seguinte (emport.):
- «D. Joana Maria Josefa de Meneses, digníssima filha do conde de Santiago, amantíssima esposa de D. Brás Baltazar da Silveira, Governador das Armas desta Província, muito prendada na verdade por don segrégios e dignos na mulher ilustre, mas mais ilustre pela piedade e por outras virtudes de Senhora cristã (a honra mais digna), morreu de hemorragia puerperal no dia 21 de Novembro de 1726 e, juntamente com o filho da (sua) dor, aqui está sepultada». (27)
Esta lápide ainda bem conservada foi escolhida pela organização das nossas jornadas, em 1991, para servir de figura alegórica ao tema: O Amor e a Morte na Beira Interior. Mas, como veremos a seguir, sobre ela há mais coisas para contar...
(Continua)
                                                   O Albicastrense

quarta-feira, junho 08, 2016

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (IX)

 AMOR E A MORTE... NOS ANTIGOS REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES.
                                                         Por Manuel da Silva Castelo Branco
 Um parto prodigioso".
(Continuação)
Assento 16 (S1 - 4M, fl. 92v) 
– Aos catorze dias de Julho do ano de 1716, nasceram duas crianças filhas de António Simão homem trabalhador e de sua mulher Maria Mendes Bragança, desta vila e freguesia. Ambas as ditas crianças com dois corpos da cintura para cima, distintos, com rosto cada uma de fêmea e bem a figurado, com dois corações, quatro braços e quatro pernas; e um só corpo da cinta para baixo, mas este tão inseparável e comum a ambas as crianças que é impossível por nenhuma arte poder separar-se um do outro, a via da urina é uma só e a outra via também uma. Às ditas crianças baptizei «sub conditione» por me parecer que o homem, que as baptizou nessa necessidade do parto, se perturbou vendo tal prodígio.
Foram-lhes postos os santos óleos a 21 do dito mês e, por ser caso não visto nestas partes, se fizeram vários retratos que se mandaram não só a cidades de Portugal mas ainda de Castela. E, por verdade, fiz este termo que assinei. O vig.° Frei António Gomes Assores.
Assento 17 (lbid.,fl.35v)
- A trinta e um de Julho de 1716, faleceram as duas crianças gémeas e prodigiosas. Foram sepultadas dentro da parede da envida de S. Brás (matriz que ora é desta vila), entre o altar do Nome de Deus e a porta travessa, por ordem do senhor bispo D. João de Mendonça. Sobreviveu uma à outra 8 ou 9 horas e o mesmo senhor bispo mandou nelas fazer anatomia, de que fiz este termo que assinei. O vig° Frei António Gomes Assores.
Comentário
Os Assentos 16 e 17, acima trasladados, dão-nos o relato bastante pormenorizado e sugestivo de um nascimento teratológico gemelar, ocorrido em Castelo Branco a 14.7.1716.A notícia deste acontecimento provocou a maior sensação quer na vila como em todos os locais de Portugal e Castela para onde se enviaram retratos do caso. As duas crianças do sexo feminino achavam-se unidas pelo abdómen, mas não podiam ser separadas por intervenção cirúrgica pois possuíam algumas funções vitais comuns... Vieram a falecer no dia 31 do mesmo mês, sobrevivendo uma delas à outra cerca de sete horas.
O bispo da Guarda, D. João de Mendonça, então residente no Paço de Castelo Branco, tomou logo algumas medidas indispensáveis... Assim, além de assegurar às crianças todos os cuidados dependentes do seu ministério, mandou-as observar por médicos e cirurgiões, que nelas acabariam por praticar também anatomia. Por sua ordem, foram sepultadas na ermida de S. Brás, em um nicho aberto no paramento interior da parede, sito do lado da Epístola, entre o arco da capela absidal e a porta lateral virada ao Poente. E, sobre ele, mandou colocar uma lápide de granito moldurada de 0,365x1,090m,com inscrição latina e escultura alusivas ao acontecimento. O letreiro, em tradução livre de António Rodrigues Cardoso, contém o seguinte:
- «Abdon e Sémen, que nasceram ligados, têm um só baixo ventre, sexo e fígado; têm vidas distintas e distintas também todas as demais coisas. Deram avida a Deus, pois, morrendo um, o outro morreu também, desfalecendo pouco a pouco durante sete horas. Juntos foram gerados, juntos viveram e juntos morreram. 1716». (25)
A escultura representa duas crianças ligadas pelo abdómen, tendo a da esquerda o braço direito entrelaçado como braço esquerdo da criança à direita. A capela de S. Brás foi demolida em1940, quando restavam dela apenas algumas paredes-mestras, encontrando-se a lápide atualmente no Museu Regional de Francisco Tavares Proença...Como já referimos, este parto prodigioso foi divulgado não só no país como fora dele, através dos meios de comunicação usados na época... Assim, a «Gazeta de Lisboa» no seu n°31 de 1.8.1716, inseria a seguinte notícia, remetida de Castelo Branco em 18 de Julho:
«Terça-feira, que se contaram 14 decorrente, do meio-dia para a uma hora, pariu nesta vila uma mulher chamada Maria Mendes Maia, casada com António Simão Bragança, homem jornaleiro, duas crianças pegadas uma em outra pelas cinturas, de maneira que ambas têm um só ventre e um só umbigo e ambas se servem pelas mesmas vias que podia ter uma só. Têm quatro pernas, mas duas alguma cousa mais curtas que as outras. A estatura de ambas é a de uma criança pequena. Vivem espertas e mamam bem e pelas palpitações parece ter cada uma seu coração. A sua forma se explica melhor nesta estampa».
O epílogo do caso vai publicado no n° 33 de 15 de Agosto do mesmo ano, sendo enviado de Castelo Branco a 1 do dito mês:- «As duas meninas, que nasceram unidas, foram baptizadas logo em nascendo por um homem que se achava na casa dos pais e, depois, por um clérigo «sub conditione» sem lhes dar nome, dizendo: 
«Criaturas de Deus, se não estais baptizadas  Ego vos baptizo in nomine Patris, etc.» 
Duraram somente vivas dezasseis dias: uma faleceu na quarta-feira desta semana das oito para as nove horas da noite; a outra na quinta-feira pelas sete da manhã. Fez-se anatomia nos seus corpos e não se descobriu mais novidade que a indivisão dos intestinos igualmente continuados no seu processo, sendo a origem diversa. Esta principiava no estômago, tendo cada uma esta oficina no seu próprio lugar.
O fígado era um só e começava no estômago de uma e se continuava ao da outra sem divisão; os duetos para as duas vias não tinham vício algum na sua conformação, nem o coração, bofe e peito, por se achar tudo na sua devida conformidade. Enfim, estas informações são preciosas para esclarecer e retificar mesmo alguns dados já fornecidos e, além do mais, permitem-nos apreciar também o resultado de uma autópsia feita nos começos do século XVIII. (26)
(Continua)
                                                  O Albicastrense

segunda-feira, junho 06, 2016

A TERRA ALBICASTRENSE - CAFÉ AVIZ




CAFÉ AVIZ

ABRIU HOJE COM NOVA GERÊNCIA E COM VELHO NOME

Quando em 2012 o velhinho Café Aviz fechou portas lamentei aqui o encerramento, pois os seus mais de 70 anos ao serviço da terra albicastrense, assim o exigiam. 
Belga Touch ocupou-lhe espaço com novo rosto e novo nome (nome que nunca entendi), até parecia que tinha vindo para durar, contudo, foi sol de pouca dura, pois durou pouco mais de um ano. Confesso que a remodelação feita pelo anterior proprietário até era da minha simpatia, pois tinha um estilo jovem e moderno.
Tendo fechado portas no início de 2016, abriu-as hoje com um velho nome muito estimado pelos albicastrenses; “Cervejaria Aviz Taberna”. Fui lá beber o meu cafezinho matinal e mirar o seu novo rosto.
Confesso que fiquei de queixo caído, pois a coisa deve ter custado umas notinhas, todavia penso que valeu a pena. 
O velho espaço (agora renovado) ostenta novamente o nome do antigo café, espero que os albicastrenses não fiquem indiferentes ao esforço feito pelo atual proprietário e comecem de novo a frequentá-lo.

Ao seu novo proprietário, este albicastrense só pode desejar sorte e saúde para que o negócio desta vez seja um bom negócio.
O Albicastrense

CADERNOS DE CULTURA - "MEDICINA NA BEIRA INTERIOR". (VIII)

AMOR E A MORTE... NOS ANTIGOS REGISTOS PAROQUIAIS ALBICASTRENSES.
                                                        Por Manuel da Silva Castelo Branco

VII - Retrato de uma Jovem Matrona Albicastrense dos
Começos de Setecentos.
(Continuação)
Assento 15 (S2 - 3B, fl. 34) - Francisca, filha de Afonso da Gama Palha natural da cidade de Elvas e de sua mulher D. Ana Maria da Silva Sotomayor desta freguesia e primeiro matrimónio, nasceu aos 22 de Outubro de 1695 e foi baptizada aos 6 dias do mês de Novembro da dita era pelo P. Manuel de Valadares Sotomayor prior do Teixoso e tio da dita baptizada, de minha licença.
Foram padrinhos o desembargador Luís de Valadares Sotomayor e D. Francisca Sotomayor, respetivamente, avô e tia da dita baptizada.
E, para constar, fiz este assento dia, mês e era «ut supra» / O Vig°. Frei João Marques.
Comentário
Assim se acha registado o nascimento de D. Francisca Xavier Filipa da Gama Sotomayor, filha única e herdeira da casa de seus pais, pertencentes a famílias nobres do reino. 
Contando quási 14 anos de idade, casou em Elvas a 31.7.1709 com D. João de Aguilar Mexia de Avilez e Silveira, natural de Arronches, fidalgo da Casa Real,  Cavaleiro da Ordem de Cristo e familiar do Santo Oficio, filho de D. Afonso de Aguilar Monroy e D. Filipa Maria de Sequeira. 
Casamento tratado pelos pais dos noivos e que iria florescer como se de amores tivesse nascido. Viveram em Elvas com grande Casa e numerosa descendência, mas D. Francisca seria vítima de trágico acidente, quando se consumavam sobre a data desta feliz união 14 anos, 2 meses e 9 dias, «sem que em todo este tempo houvesse entre ela e seu marido o mínimo desgosto, discórdia ou hora de arrependimento mas antes se trataram sempre em admirável paz com a mesma ternura e fineza quase pratica entre os noivos»... 
Autorda época deixou-nos um relato pormenorizado e interessante acerca desta família, onde destaca por forma singular a figura da jovem senhora, que retrata do seguinte modo:
- «De corpo gentil, branca e corada como uma rosa, cabelo bem povoado e mais louro que castanho, olhos pequenos mas vivos e em todas as mais feições, com proporção engraçada, se compunha de uma particular beleza. Participava mais luz o seu entendimento do que costuma caber na esfera do discurso de mulher; modo grave e senhoril, sem deixar de ser afável; airosa e bem prendada no tratamento de sua pessoa; benigna e prudente de condição; vigilante com a sua família e cuidadosa no governo dela.
No público sabia ser senhora e, no particular da sua casa, especulativa e laboriosa, unindo felizmente os dois extremos de ter governo e ser liberal. Era agradecida e primorosa e, sobretudo, fidelíssima à veneração de seus pais e ao amor e estimação de seu marido. Sem exemplo na doutrina e educação de seus filhos pois amando-os com o maior carinho, como se fora só um o objecto do seu amor estando igualmente repartido por dez, os ensinava em religiosos costumes, com a mais severa disciplina; instruía-os na reverência e temor de Deus, na boa e importante união entre si e na estimação de suas pessoas, sem desprezo dos próximos ou menos agrado com todos; que fossem brandos e bem aceites aos seus familiares e que tivessem horror aos vícios. Trouxe sempre diante dos olhos a observância da lei de Deus, frequentava os Sacramentos e tinha contínuas devoções; punha especial cuidado em que a sua família vivesse conforme as obrigações de cristãos e em remediar as necessidades dos pobres, com ardente caridade. Gostava muito de tratar as pessoas, que reconhecíamos de virtude; foi de alegre conversação e de génio aprazível; e sendo, finalmente, um composto de perfeições que a conduziam a merecer o título de matrona e a parecer singular entre as mulheres e senhoras do seu tempo; e das mais capazes de viver no mundo, sendo nele tão precisa para a criação de dez filhos inocentes (dos quais, o mais velho contava 12 anos, o último, não bem completos 4 meses) e para o conduto da vida de seu marido, consolação de sua mãe, complacência de seus parentes e felicidade de toda a sua Casa... Veio a morrer na flor da sua idade, com 28 anos menos três dias, em 19 de Outubro de 1723, uma terça-feira, pelo caso mais fatal e como uma das desgraças mais infaustas que se têm representado no triste teatro deste mundo»... (24)
Efetivamente, na ausência do marido e do filho mais velho (em viagem para Portalegre e Castelo Branco), D. Francisca decidiu ir passar a tarde daquele dia na sua quinta da Serra do Bispo, no termo de Elvas. 
Jornada de recreio, aproveitando a companhia da mãe e de duas filhinhas; e ali permaneceram durante algumas horas... No regresso, quando a seu pedido o cocheiro parou e desceu a fim de abrir a cortina dianteira, as mulas desataram numa corrida desenfreada e D. Francisca foi projetada para o meio da estrada.
Embora não apresentasse qualquer ferimento, expirava poucos momentos depois, já nos braços da mãe e rodeada pelas filhas, que saíram ilesas deste trágico acidente...
 (Continua) 
                                                 O Albicastrense 

A RUA DA MINHA ESCOLA – (IX)

(ESCOLA DO BONFIM)                               O que sabemos nós da rua da nossa escola primária?    (Rua do Bonfim)         ...